12.09.2013

Algumas cidades e um Estado

Moro em Graz; tenho enorme carinho por Niterói e me sinto totalmente à vontade em Londres, mas foi Granada que me fez chorar diante de tanta beleza e é Volta Redonda aquela da qual me orgulho em chamar de minha: sou de MInas.

8.14.2011

Dia dos pais

Parabéns, meu pai, pelo seu dia.

4.13.2010

Casas, pessoas


Federico nasceu nesta casa ao lado. Andei por meia Andalusia até chegar aí...




Já a casa de K. eu encontrei por acaso. Entrei numa micro-livraria e já estava de saída quando li em uma placa "Dieses Buch wurde in diesem Haus geschrieben". Uia, e eu sem saber de nada. Acima, a ruazinha onde ele viveu:





Do lado de fora, uma plaquinha tão minúscula quanto a casa faz menção ao nome de KafkA.


10.04.2009

Mujer que va buscándose en la eternidad


Eu amava a Mercedes. E imaginava que a Morgana (de Brumas de Avalon) era a sua cara. E também a Blimunda: Sempre e sempre que eu imaginava (imagino) a Blimunda em busca de Baltasar, ela se materializava em forma de Mercedes. Linda.

6.04.2009

Blog fora de hibernação por alguns momentos

Assuntos do dia:
a)Possíveis títulos para um livro imaginário:
"A Invenção do Verão na Áustria
";" Há Invenção de Verão na Áustria?"; e por fim, "Intenção de Verão na Áustria." Porque o que aqui não falta é a criatividade...
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b) Estratégia: ¿Quieres hablar en tu lengua madre?
Toca o interfone; o bonitão atende e diz que é pra mim. Me visto depressa - estava de calcinha e top, porque (sim, existe verão), fazia muito calor - e vou ver quem é. Uma moça me pergunta em alemão se sou a Felicia, ao que eu respondo sim, enquanto mentalmente temo penso que seja uma testemunha de Jeovah. Ela me pergunta em espanhol se podemos conversar nesta língua e eu digo que sim. Ela diz então que viu meu nome na porta e que soava como um nome espanhol ou português, e sugere que eu talvez sinta falta de conversar em minha língua, ao que eu respondo mui educadamente que não. Ela acrescenta então que talvez eu tenha interesse em ler algo em espanhol e me oferece uns folhetos. Eu pergunto sobre que tratam os tais folhetos e ela diz que é sobre a Bíblia, ao que eu recuso educadamente. Ela fica um pouco chocada com a recusa direta, e diz que não queria incomodar, repete que só tocou o interfone porque meu nome indicava que eu era espanhola ou portuguesa ou brasileira ou...Eu digo educadamente que não foi incômodo nenhum e ela se despede. Eu tranco a porta, o bonitão pergunta quem era e digo que era uma testemunha de Jeovah.
Depois caiu a ficha: o meu nome não está indicado na portaria - e sim meu sobrenome- , ou seja, a garota conseguiu meu nome em alguma lista onde consta minha nacionalidade. Escrevi tudo isso só para dizer que me peguei pensando se mentira não é pecado. Final da história: Sei lá!!!
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c) Coisas que seria melhor que eu não fizesse neste exato momento da minha vida:
-Assistir Lost; assisitir "Das perfekt Dinner (eu me envergonho disso, abafa); ressuscitar um blog que ninguém mais lê...
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d)Amanhã: Misa Criolla von Ariel Ramirez, na Heilandskirche - Kaiser-Josef-Platz 9- às 20:00h. Solista: Sergio Cattaneo, Direção: Paul Hönicke
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e) Dito isso, voltamos a nossa programação normal, ou seja, às moscas...




1.04.2008

A Casa de Bernarda Alba

“Nacer mujer es el mayor desafio” Essa afirmativa de Amélia (II; pág. 112) indica o enredo que se desenrolará em “La Casa de Bernarda Alba”, de Federico Garcia Lorca: o drama de ser mulher na sociedade espanhola.
Enredo: Trata-se da história de uma família composta por Bernarda Alba - uma mãe castradora, que dirige a família com mãos de ferro - e suas cinco filhas. Com elas vivem também a avó, já senil, a governanta Poncia e uma outra criada. Entre essas mulheres há uma relação repleta de conflitos e tensões: A irmã mais velha, Angústias, está noiva de Pepe Romano, porém este se encontra às escondidas com Adela, a irmã mais jovem. Por sua vez, Martírio, outra das irmãs, também está apaixonada por Pepe. Enquanto as personagens preparam o enxoval de casamento, desenrola-se o drama em meio à confidências, ódios, invejas e hipocrisia. Em meio ao atrito entre as personagens, vamos conhecendo sua cosmovisão. Ao final, a relação secreta entre os dois amantes vêm à tona, fazendo com que Pepe Romano fuja e Adela cometa o suicídio.
A temática centra-se na questão do despotismo – o que não terá sido mera coincidência, uma vez que o drama foi escrito em 1936, época de fortalecimento da direita fascista em Espanha, que viria a assassinar Federico pouco depois. Uma analogia direta entre texto e conjuntura social aponta para um regime ditatorial que se reproduz nas relações interfamiliares e interpessoais das personagens. Outra leitura possível nos leva a refletir sobre a questão da sexualidade reprimida, já que o drama trata também desse conflito. É possível imaginar que esse tenha sido um tema muito significativo para o autor, reconhecidamente homossexual, o que nos permite inferir quão difícil deve ter sido vivenciar sua opção sexual numa sociedade tão conservadora e retrógrada como a de então: ser homossexual era com certeza carregar consigo um estigma muito maior do que o fato de ser mulher.

As personagens principais e sua caracterização: Os personagens se dão a conhecer através de comentários explícitos feitos por outros personagens em sua ausência, como por exemplo, quando Poncia se refere à Bernarda: “Tirana de todos los que la rodean.” (I, pág. 141), ou ainda quando Magdalena se refere a Pepe: “tiene veinticinco años y es el mejor tipo de todos estos contornos.” ((I, 176). Mas também há referencias a respeito de como se vêem a si mesmos, como nos indica a personagem Adela:” !No quiero perder mi blancura en estas habitaciones!”(I, 180). Abaixo, algumas atribuições físicas, morais e psico-ideológicas acerca dos personagens:

- Bernarda: Uma mulher de 60 anos, conservadora, de caráter forte e dominador. Quando se inicia o drama, acaba de se tornar viúva pela segunda vez. Do primeiro casamento nasceu sua filha Angústias; do segundo nasceram outras quatro: Magdalena, Amelia, Martirio y Adela. Bernarda representa a repressão, a falta de liberdade; alguém que observa estritamente às normas sociais e convenções, levando a família a viver sob absoluta ditadura. Ao entrar em cena, trás consigo um bastão, símbolo de força e domínio.

- Poncia: Governanta da casa, 60 anos. Faz comentários ácidos acerca de Bernarda, e às vezes parece ter com esta mais liberdades do que uma empregada normal teria. Em algumas passagens, Poncia toma para si o papel de “administrar” as tensões existentes.

- Angústias: Filha do primeiro casamento de Bernarda, 39 anos. Está noiva. É a única das irmãs com uma boa situação financeira (devido à herança de seu pai). Submissa e resignada, é descrita por sua irmã Magdalena como “vieja, enfermiza y que siempre há sido la que ha tenido menos mérito de todas nosotras” (I, pág. 175).

- Magdalena: 30 anos. É outra das filhas, representa a mais completa resignação sob sua mãe, a quem em tudo obedece.

- Martírio: 24 anos. Apaixonada por Pepe Romano, noivo de Angústias. Pode ser vista como símbolo de inveja. Sobre seu caráter, diz Poncia : “Es la peor. Es un pozo de veneno. Ve que Romano no es para ella y hundiría el mundo si estuviera en su mano” (III, pág. 261)

- Adela: 20 anos. Se caracteriza por oposição às suas irmãs, por sua ânsia de viver plenamente, de ser livre. Adela rejeita a submissão ao código de honra que lhe é imposto e se afirma livre para viver sua sexualidade: !Mi cuerpo será de quien yo quiera! (II, pág. 202). É ela também quem descumpre o período de luto e usa um vestido verde – ainda que seja somente para ir ao galinheiro - o que significa uma afronta absoluta às convenções sociais. Como símbolo maior de sua rebeldia, quebra o bastão, um dos símbolos de poder de Bernarda.

- Maria Josefa: Mãe de Bernarda Alba, tem 80 anos e encontra-se senil. Bernarda a mantém encerrada dentro de casa.

- Pepe el Romano: Jovem rapaz do povoado, torna-se noivo de Angústia por interesse em seu dinheiro. Seu personagem não aparece em cena em nenhum momento, mas ainda assim tem importância fundamental no decorrer dos acontecimentos, por se tratar do objeto de desejo e de inveja das mulheres da casa.

- A Criada: 60 anos. Seu personagem, juntamente com Poncia é quem nos apresenta e nos dá as uma imagem inicial acerca do personagem- título.

O nome das personagens também indica algo sobre elas: Alba , que quer dizer alva, muito branca, sem mácula; Martírio, a que martiriza às outras com sua inveja; Angústias, a que vive a angústia de ser a mais velha e mais feia de todas. (A título de curiosidade, pesquisei no Google sobre significado de nomes e cheguei ao seguinte resultado: Amélia – sofredora, cúmplice; Adela – nobre; Bernarda – forte como um urso...)


Estrutura da obra e alguns componentes:

A peça se divide em três atos, obedecendo à clássica estrutura de exposição, desenvolvimento e desenlace, e todos eles se passam no interior da casa de Bernarda Alba. No primeiro, vemos como é a relação de Bernarda com sua empregadas e suas filhas. No segundo, revela-se questão do amor por Pepe Romano, que ao final do terceiro ato, resultará em tragédia. A linguagem utilizada é bastante coloquial, e a obra é apresentada sob a forma de diálogo.
Ao início de cada ato, o autor indica como será sua ambientação ou cenário que o compõem (acotaciones): O lugar onde se dará o primeiro ato será uma “habitación blanquíssima del interior de la casa de Bernarda. Muros gruesos” Aí há também “cuadros con paisajes inverosímiles de ninfas o reyes de leyenda” (I, 139). Uma interpretação psicológica possível poderia ser a de um lugar monocromático, ou seja, opressivo. Os muros grossos podem ser associados a uma prisão, e a única possibilidade de fuga desse ambiente seriam o sonho e a fantasia, representados pelos quadros.
O segundo ato, onde Lorca indica também um cenário branco, se passa também no interior da casa de Bernarda. As irmãs estão reunidas, bordando em um cômodo de onde se pode avistar os quartos de dormir, o que poderia significar um pouco acerca de sua intimidade. Já o terceiro ato será representado no pátio interior da casa de Bernarda. (Sequencialmente, é possível afirmar que o drama interioriza-se cada vez mais). Através das demarcações (ou acotaciones ) também é possível conhecer mais acerca do estado de espírito do personagens. Por exemplo:
ADELA (con sarcasmo): ! Se necesita buen humor! (II, 209)
ou
ADELA (con emoción contenida): !Pero Pepe el romano...! (I, 179)
Outras acotaciones informam sobre a acústica, o tom de voz, música, acessórios, etc. que teriam a função de mostrar o drama de forma realista (Federico diz logo depois da apresentação dos personagens, às pags.138, que “...estos tres actos tienen la intención de un documental fotográfico.)
No espaço onde o drama se desenrola apresenta-se o antagonismo entre interior-privado (lugar de mulheres) x exterior-público (lugar de homens), o que se relaciona perfeitamente com o subtítulo da obra - Drama de Mujeres en los Pueblos de España. A casa é um símbolo de conservadorismo, de integridade e respeito às normas.


Comentário: Lorca é um velho conhecido, e foi com muito prazer que voltei a relê-lo. Escrever sobre sua obra também me fez recordar um pouco do meu passado, onde eu mesma atuei e trabalhei junto à um grupo teatro amador. Nunca tive a oportunidade de assistir a uma exibição d’A Casa de Bernarda Alba, porém no que diz respeito ao texto, só posso recomendar sua leitura.





Obras consultada:
Garcia Lorca, Federico: La casa de Bernarda Alba. Madrid: Cátedra Letras Hispânicas, 2006.


Observações: Detalhar.

5.02.2006

Eu

Desculpem os comentários e mails que nao respondi. Tive minhas razões e não vou me justificar depois de tanto tempo, mas sei que foi feio de minha parte. Desculpem mesmo e obrigada pelo carinho e pelas visitas. O blog está morto, viva o blog.

Campanha "DESAPARECE, GAROTINHO"

5.26.2005

Outro Post que Copio

Eu ia copiar outra vez o post da Nanda . Mas aí mudei de idéia e só quero dizer que também tenho saudades. Feliz aniversário, meu pai.

5.19.2005

Fora Garotinhos!


Eles pra fora? Eu tô dentro!
Esse blog se junta á passeata virtual, pela pela ineligibilidade de Garotinho e Rosinha, pelo fim das negociatas e da impunibilidade de nossos representantes. É hora de acabar com a picaretagem que anda a solta no cenário político. Inegibilidade neles! Todo apoio a decisão da Juíza Denise Appolinária!

"HAVERÁ UM DIA EM QUE TODOS SEREMOS FELIZES, DIA EM QUE ROSINHAS SERÃO APENAS FLORES E GAROTINHOS APENAS CRIANÇAS ! (autor desconhecido)
A imagem é gentileza do gefin

5.01.2005

Mico

13:00h aqui na Áustria, 8:00h da manhã no Brasil, ligo pra casa, a Nanda atende e eu peço pra falar com a mãe. Vem minha mãe e eu recito bem bunitim:
"Andei por todos os jardins/procurando uma flor pra te ofertar/em lugar nenhum eu encontrei a flor perfeita pra te dar/laralá-larari..." Papo vai, pao vem, pergunto o que ela vai fazer de especial no dia das mães.
-"Mas o dia das mães não é hoje, não. É domingo que vem.", responde ela.

Ah, bom ainda bem que foi por uma boa causa.
Ah, bom. Ainda bem que eu telefono toda semana...
Ah, que vergonha, e ainda dei parabéns pra Leila nos comments...
Ah, suas pestes, ninguem leu o post abaixo pra me avisar não, hein?

Adendo: Ela leu. Tarde demais. E ainda faz piada. Marmota.

Eu Amo a Minha Mãe

Mas eu amo MUITO mesmo. E tô com uma saudade muito grande dela. Nem é por ser Dia das Mães, mas acho que ela vai gostar de ler isso aqui.


UM BOUQUET PARA UMA ROSA

(Alceu Valença, baseado em canções folclóricas
de Alagoas e de Pernambuco)

Mandei fazer um
Bouquet pra minha
Amada
Mas sendo ele de
Bonina disfarçada
Como o brilho da
Estrela matutina
Adeus, menina, linda
Flor da madrugada
A rosa vermelha é
Meu bem querer
A rosa vermelha e
Branca hei de amar
Até morrer

4.27.2005

Se Eu Morrer Hoje

Sugestão para um epitáfio :

"Morreu sem saber o que queria.

Mas se eu morrer semana que vem, provavelmente terei mudado de idéia...

4.24.2005

Elos e Corrente

O Manoel é um querido. Sim, não encontro expressão melhor para dizê-lo: um querido de marca maior, uma dessas felicidades que a internet me trouxe. Seu Agreste é um ponto de encontro e referencia da cultura nordestina, mas não só tanta: é parada obrigatória para se abastecer de simpatia. Sobre o Manoel, a Nora já falou aqui mais e muito melhor do que eu poderia. E como se não bastasse isso tudo, o Manoel ainda é pai da Flora...
Pois bem, foi ele quem me convidou para participar de uma corrente. Não, corrente não é o termo certo, eu fui convidada como parte de um elo, o elo agrestino, do qual me orgulho muito de participar. Transcrevo aqui as palavras dele, que explicam os motivos para ter aceito o convite, razões que são minhas também. E logo depois, minhas respostas:

Correntes e elos:
Por hábito, não participo de correntes.
Muitas delas são motivadas pela cobiça, alguns querem ganhar dinheiro em progressão geométrica; não alimento isto. Outras correntes são movidas pelo atraso, por superstições, das quais não compartilho; mantenho-me à distância. Ainda há correntes bem intencionadas, mas pouco práticas; uma delas visava a distribuição de livros, mas a dificuldade com remessas fazia muita gente desistir e a corrente era quebrada.
Atualmente, com o advento da internet, passou a existir um tipo de corrente cujos participantes nem se dão conta de que participam das mesmas; são avisos de vírus ou similares e resultam, às vezes, no fornecimento de endereços dos quais alguns inescrupulosos se apropriam.
Como prática, se me propõem uma corrente, respondo: — por favor, me inclua fora desta!
Após muitos anos, resolvi aceitar participar de uma corrente.
E o fiz por considerar que a mesma é prática e salutar.
Trata-se de propagação de uma entrevista sobre Literatura da Língua Portuguesa. As perguntas são sobre a relação do entrevistado, na condição de leitor, com a literatura.
E o fato de respondermos a estas perguntas, sem ameaçar a privacidade de cada um de nós, ajuda a revelar o perfil de cada um. É bom sabermos o que aqueles com os quais nos relacionamos lêem. Talvez outras perguntas pudessem ser formuladas, mas estas são básicas e, em se tratando de generalização, é melhor assim.
Devo responder às perguntas da entrevista, reproduzindo-a aqui. Ao mesmo tempo, devo indicar outras pessoas - no mínimo três. As pessoas indicadas por mim, caso aceitem, deverão fazer o mesmo que eu....
A seguir, a entrevista e as indicações.

Ex-Libris da Tugosfera

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
“Memorial do Convento”, de José Saramago.


Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?
Sim, por duas mulheres: a primeira foi a Morgana, das Brumas de Avalon, pois caiu todo o mito da bruxa má. Foi um livro que li há mais de 14 anos atrás, e enxerguei Morgana apenas como mulher, com defeitos e virtudes. E uma coisa engraçada, não tem muito a ver com a pergunta, mas ela é também um personagem que tem rosto muito claro: na minha imaginação, a Morgana é a cara da Mercedes Soza, outra mulher que adoro (espero que fique claro que isso é um elogio a ambas).
A outra personagem, é Blimunda: uma Mulher que eu gostaria de ser, corajosa, luta, ama, se entrega, vai as portas da morte e sobrevive. Eu a imagino tão linda, tão forte, tão cheia de garra e sensível ao mesmo tempo. E o mais bonito é o jeito dela de amar: Blimunda e Baltasar se encontraram na juventude. E depois de vários anos juntos, já na velhice, há uma passagem do livro que reflete o quanto esse amor é intenso, não só por resistir à passagem dos anos, mas por Blimunda e Baltasar serem pessoas que "como são se vêem" : ”...e se temos à mão um espelho, Jesus, como o tempo passou, como eu me tornei velho...Baltasar não tem espelhos, a não ser estes nossos olhos que o estão vendo descer o caminho lamacento para a vila, e são eles que lhe dizem, Tens a barba cheia de brancas, Baltasar, tens a testa carregada de rugas, Baltasar, tens encorreado o pescoço, Baltasar, já te descaem os ombros, Baltasar, nem pareces o mesmo homem, Baltasar, mas isto é certamente defeito dos olhos que usamos, porque aí vem justamente uma mulher, e onde nós víamos um homem velho, vê ela um homem novo...ou nem sequer a esse vê, apenas a este homem que desce, sujo , canoso e maneta, Sete-sóis de alcunha, se a merece tanta canseira, mas é um constante sol para esta mulher, não por sempre brilhar, mas por existir tanto, escondido de nuvens, tapado de eclipses, mas vivo...” O motivo maior para eu amar Blimunda: ela é uma mulher que vê. Ela soube ver o amor e vivê-lo plenamente. Quem leu este livro sabe que isso é mais um clichê.


Qual foi o último livro que compraste?
Comprei “Bartebly & Co.” de Enrique Vila-Matas e o “Leviathan” de Paul Auster. Ainda não comecei a leitura de nenhum dos dois, e acho que vou demorar a ler, já que estão em alemão e nesta língua eu leio muito devagar.

Qual o último livro que leste?
Vou incluir na lista algumas leituras deste ano: Descobri Lobo Antunes e me apaixonei por ele: todo mundo merece ler este homem. Dele, “Fado Alexandrino”, “Os Cus de Judas”, “Manual dos Inquisidores” , A Explicação dos Pássaros”, falam não só das angústias e frustrações do próprio Lobo Antunes, ao retornar a Portugal depois da Guerra em Angola, como também mostram um retrato da própria Portugal, sua sociedade, sua imagem e auto-imagem, nem sempre condizentes entre si. Outro livro bom, mas que li na “hora errada” foi “Perdas e Ganhos”, da Lya Luft. Também li “Vivirla para Contarla” do Garcia Marquez, que apesar de auto-biográfico, alguns dizem ser um livro cheio de mentiras. Pois se são mentiras eu não sei, só sei que foram então invenções muito saborosas da cabeça do Garcia Marquez. E teve também “Histórias Fantásticas” de Bioy Casares, de quem nunca havia lido nada. Gostei muito. O que li e não gostei: “Os Sete Pecados Capitais”, contos escritos por diversos autores, e Vista del Amanecer en el Trópico”, do Cabrera Infante.


Que livros estás a ler?
No momento, estou com “La Muerte de Artemio Cruz”, do Carlos Fuentes e “Die geheimnisvolle Flamme der Königin Loana”, do Umberto Eco. Este último anda parado em função daquele, que se tornou prioridade por causa de uma apresentação no meu curso.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
O “Memorial do Convento”, com certeza, mas na verdade levaria todos os livros do Saramago, e só aí já seriam mais de cinco. Também levaria “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, bem como “Memorias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Há um livro do António Olinto, acho que se chama “Memoria da Água”, que eu levaria com prazer, e pelo que descobri do Lobo Antunes, levaria dele tudo o que ainda não li. Aqui ficam só autores da língua portuguesa.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
Preciso dizer que o Manoel, alem de ser um querido, é também um fominha-:)...Pois não é ele passou a corrente para quase todas as pessoas do mundo virtual que eu pensaria em indicar?! E essas pessoas certamente fazem elo com a outra parte de amigos que ele não indicou... Então, vou indicar duas amigas do mundo “real”, Andreia e Virgínia. Uma e outra se interessam por livros e literatura, tenho certeza que virão respostas interessantes. A terceira pessoa é a Anna dona um blog que eu descobri recentemente e do quel gostei muito. Não a conheço bem, mas minha intuição me diz que tanto as perguntas interessarão à ela como as respostas interessarão a muita gente. Fica também o convite: quem quiser se apropriar da corrente e quiser levá-la adiante, é bem vindo ...

4.17.2005

Meus Problemas Acabaram (e os dela só começaram!!)

Amiga(o),
Você anda cansada (o) dessa vidinha monótona? Acha que nada de emocionante acontece com você? Quer um pouco mais de adrenalina e emoções fortes no seu dia-a-dia? Pois seus problemas terminaram: Basta ter uma irmã, do tipo que pede favores simples como ir ao banco. Sua vida nunca mais vai ser a mesma.
Irmã: resolve qualquer parada. Irmã: é mais um lançamento imperdível das organizações Felijaras.

4.13.2005

Má(i)s Notícias da Áustria

O clima politico está quente por aqui. Tudo começou há alguns dias atrás, com uma cisão entre os ultra-extrema-direita e os “só”-extrema-direita, se é que vocês me entendem, do FPÖ (Partido da Liberdade, mais conhecido como partido do Haider).
Pois bem: Alguns membros do FPÖ, até então integrante minoritário do governo, em coalizão com o ÖVP (Partido do Povo, de centro-direita), acusando Haider de trair os ideiais do partiddo e de ser o responsável por uma série de derrotas eleitorais, começaram um processo de fritura de Haider, que resultou, por parte deste, na – rápida – criação de uma nova legenda, o BZÖ (Aliança pelo Futuro da Áustria). Pois o recém nato BZÖ já arrastou consigo, só em Viena, 8 dos 21 mandatários do FPÖ. Pelo resto do país, a adesão também tem sido grande. O Der Standard, (link ao lado) tem uma retrospectiva dos acontecimentos e uma cobertura imparcial do tema (em alemão). -Aliás, anteontem uma das chamadas tinha o título: “Rumo à República das bananas?” o que já provoca algumas reações galhofeiras: em menção à cor-símbolo adotada pelo BZÖ – laranja -, um leitor envia uma carta ao jornal dizendo que de “laranjas e bananas, o cesto já está cheio”. -

A oposição, formada pelo SPÖ (centro-esquerda) e os Grünen (à esquerda do centro) entrou com um pedido de novas eleições, alegando que o BZÖ, o novo partido de Haider, não foi legalmente eleito, já que não existia à época do pleito eleitoral, mas há uma complicada relação jurídica e política a ser discutida, da qual eu não entendo absolutamente nada. Hoje é dia de reunião no Conselho Nacional, onde novas eleições, a dívida finaceira do FPÖ e o financiamento do BZÖ serão discutidos (para entender o sistema politico, sugiro visitas aqui aqui

Numa pesquisa de opinião, 57% dos entrevistados se disseram a favor de novas eleições, contra 32% que defendem a nova coalizão e 11% que não sabem. Pelo que tenho visto em termos de mobilização do povo austríaco até aqui, acho que dificilmente elas irão acontecer.Schüssel, o Bundezkanzler do ÖVP, não tem nenhum interesse em novas eleições (é claro, o risco de perder posições no governo é enorme) e já disse que aceita prazerosamente governar com Haider, que é o que ele vem naturalmente fazendo até aqui.
O que me preocupa é o evidente fortalecimento de Haider, que teve a esperteza de se distanciar dos ultra-.extrema-direita, projetando uma imagem de modernismo sem mudar uma só linha de seu discurso extrema-direita . Ele não tem o carisma de um Hitler, mas ainda assim, carisma suficiente e guardadas – todas – as devidas proporções, é possível compará-lo ao Collor (inclusive fisicamente, a mesma boa forma, sempre bronzeado e bonitão), com seus discursos de efeito, suas declarações populistas que exprimem realmente o desejo popular e que alcançam facilmente os ouvidos de uma nação onde a situação económica vem se deteriorando constantemente. O BZÖ não é nada mais do que o velho ideário de Haider, apresentado em nova roupagem, preocupante num momento em que o número de desempregados aqui é recorde absoluto na história. E acho que tende a aumentar se lembrarmos, para dar um exemplo, que países pobres como a Polônia adentraram recentemtente a EU o que me faz supor que o número de imigrantes desempregados tende a crescer sem que o governo tenha uma politica de criação de postos de trabalho. Neste caso, mais pontos para Haider que já tem o discurso segregacionista e xenófobo pronto há anos.
Sem intenção de alardear o menor pânico, e lembrando que a conjuntura atual é bastante diferente da do pós-guerra, infelizmente lembro-me também de que a trajetória politica de Hitler e Haider tem sido até aqui, muito, muito parecida. Vamos a ver o que acontece.

4.09.2005

Ói

Hoje: É aniversário dela, minha irmã preferida.

4.06.2005

Acontecidos e acontecendo

Eu não contei o motivo do sumiço em Janeiro: foi uma época ruim, por causa do episódio que ficou conhecido como o Incêndio da Árvore de Natal. Não, a casa não pegou fogo (só uma pequena parte foi danificada, e imaginem, é uma casa de madeira), mas uma pessoa (Pessoa) se queimou e esteve por 3 semanas no hospital. Em resumo: foi heavy. Ainda não sei se quero falar mais sobre isso, então, vamos combinar uma coisa: sem comentários, tá?. Estou contando agora, como diria meu pai, só para dar uma satisfação...
Mas como nem tudo é ruim o tempo todo I, aconteceu uma coisa muito bonita, que não quero deixar de comentar antes de sumir: já falei pra vocês que gosto de plantas, e que costumo das nomes às minhas. Pois uma delas, minha jibóia chamada Blimunda sofreu muito com o episódio do Incêndio da Árvore de Natal, as folhas secaram e ficaram de cor marron, de modo que cortei TODAS as suas folhinhas restando apenas uns galhinhos ressequidos. Achei que ela estivesse morta, mas contraditoriamente, não quis jogá-la fora. Depois quase dois meses, não é que ela renasceu como Fênix, linda, cheia de folhinhas verdes e viçosas!! Aqui tem fotos que eu mandei para a companhia de seguros, e Blimunda é a que está no cantinho, perto da estante)
E como nem tudo é ruim o tempo todo II, aconteceu uma coisa muito boa, que foi assim: em Janeiro, virei habituê de hospital, todo dia ia visitar a Pessoa, que estava a maior parte do tempo sedada. E nessas horas, bem , não há muito o que fazer (sem contar chorar, rezar, se desesperar, etc), de modo que ou eu faço tricô, ou leio, ou as duas coisas ao mesmo tempo. E como não estava tricotando nada, tive muito tempo para ler. Foi assim que me apaixonei: conheci finalmente António Lobo Antunes. Li “Memorial dos Inquisidores”, “A Morte de Gardel”, “Os Cus de Judas”, “Fado Alexandrino” e “A Explicação dos Pássaros”. Entre eles, li também “Perdas e Ganhos”, da Lya Luft, o livro certo na hora errada, assim como a coletânea “Os Sete Pecados Capitais”. Deste último, não gostei; talvez o meu sentimento fosse outro se eu o tivesse lido antes do Lobo Antunes. E como precisava treinar meu espanhol (na verdade precisava estudar gramática, mas como vocês já notaram pelo meu excesso de erros ortográficos, não sou mulher de fazer essas coisas, azar o meu), aproveitei também para ler “Vista del Amanecer en el Trópico”, do Cabrera Infante, e as “Histórias Fantásticas” de Bioy Casares. Também me apaixonei pelo último e não gostei do primeiro. Por último, o maravilhoso “Vivirla para Contarla”, do Garcia Marquez, que amei. No momento, deixei o espanhol de lado e estou me engalfinhando no Umberto Eco, em alemão: “Die geheimnisvolle Flamme der Königin Loana” ou a Misteriosa Chama da Rainha Loana, que é o título que imagino em português. E constato que meu alemão continua fraquíssimo, tem parágrafos inteiros que não consigo captar (e dificulta mais ainda por ser um livro que faz várias referencias a músicas, gibis, imagens e objetos da geração de Eco). Um dia, se tiver tempo, gostaria de comentar essas leituras detalhadamente, vamos a ver...
Daí se segue que nem tudo é ruim o tempo todo III, e eu também não contei que em Janeiro (ou em Fevereiro? De qualquer modo, parece que ja foi em outra vida), apesar desse meu alemão ruinzinho, fiz a prova de suficiência que me daria acesso à Universidade, e fui aprovada. Aí tem história, vou contar rapidinho: A prova é dividida em 4 partes: LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO (onde costumo me dar bem, nos simulados acertei sempre entre 80% e 100%), GRAMÁTICA (onde SEMPRE me dou mal; nunca sei se uma palavra termina em em, en, es, er, e não consigo encontrar a lógica numa gramática com artigos feminino, masculino e neutro distribuídos sem lógica aparente. Além disso, costumo trocar os verbos de lugar nas orações. Mas é burrice minha com certeza, já que todos os meus colegas conseguiram aprender. Nos simulados, acertei sempre só o suficiente para passar raspando, sem maiores comentários) e REDAÇÃO, onde costumo receber muitos elogios pela argumentação e estruturação, sem que, nem por isso, a professora deixe de descontar pontos já que eu cometo muitos erros...gramaticais. Pois bem, como de praxe, acertei exatamente o n° de questões suficientes para não ser reprovada na área de gramática, contraditoriamente não cometi os erros de concordância e finalização de palavras que me são comuns na redação e simplesmente, NÃO VI parte das questões de interpretação de texto mamão com açúcar que estavam no verso da prova. Das questões que respondi nesta parte, acertei 100%, o que foi minha salvação. Acho que se tivesse respondido a todas, poderia alcançar a nota 2=bom, mas depois desse vacilo, consegui só um 3=suficiente. Quem é aprovado nestas etapas, encara a prova ORAL, onde também consegui ser aprovada. Enfim, foi isso.
Agora sou uma universitária que assiste as aulas, sem entender muito bem o que está sendo falado, e bem...eu acho que endoideci (mais).
E como nem tudo é bom o tempo todo, isso quer dizer que devo dar uma sumida básica de novo: preciso aprender um BOM alemão de qualquer jeito, sob pena de desperdiçar os 750€ que paguei na Uni por este semestre. Para começar, redigir nesta língua barbara, e deixar um pouco de lado as leituras em português. Vou continuar visitando todo mundo na medida do possível, mas se eu sumir por um bom tempo, desta vez vocês já sabem o motivo. Então, auf Wiedersehen!
PS.: Prometo voltar e responder os comentários do último post...

3.27.2005

Considerações sobre a Velhice e Outras Coisas

Só por esses dias me dei conta de um sentimento recorrente em relação à velhice, em que curiosamente nunca tinha prestado atenção. E é a preocupação com a fragilidade deles, a chamada terceira idade, com a dependência dos outros, com o sentimento de impotência que muitas vezes - mas felizmente, nem sempre - aparece. Isso veio à tona quando vi uma senhora entrando no mesmo ônibus que eu, coitadinha, trêmula, mal se sustentando sobre as pernas e com dificuldades para alcançar o degrau do veículo. Essa semana, presenciei um fato pior, quando uma senhora aparentando mais de 80 anos, tentou subir no bonde, e não conseguiu, quase caindo da escada. Acho que a coitadinha estava sem noção, pois carregava numa das mãos um saco que – juro - pesava mais de 20 quilos, e na outra mão, outra sacola que parecia tão pesada quanto, e as duas sacolas somadas pareciam pesar mais que a dona delas. Nas poltronas da frente, dois rapazes, na poltrona lateral, mais dois, e em pé, mais um. Nenhum deles moveu um só músculo para ajudar a pobre senhora, e, ceder o lugar, nem pensar. Fui eu quem a ajudei (por isso sei o peso da sacola), e acho que se eu não estivesse lá, a vovozinha ia acabar ficando pra trás...
Apesar de fatos como esse, tenho a impressão que o tratamento dispensado aos idosos aqui é muito bom, se comparado aos inúmeros denúncias de abandono e maus tratos que acontecem no Brasil. Talvez seja apenas um clichê, já que não tenho nenhuma informação precisa, mas a situação aqui ainda é APARENTEMENTE melhor.
O fato é que essa fragilidade da velhice sempre me chamou a atenção, embora eu até então não tivesse me dado conta. E toda vez que vejo um velhinho ou velhinha com dificuldades para caminhar, lentos em suas bengalas, dependendo de outras pessoas, sofrendo de Alzheimer, sempre penso: „Um dia ele(a) já foi como eu.“ (Agora me ocorre que nunca pensei:“um dia serei como ele(a)“, mas outra hora volto a isso. )
Mas na verdade o assunto do post é outro: Teoria da Conspiração é o título, mas também poderia ser Clonagem. E velhinho aqui só entrou na história por causa do Papa. Que não passa de um velhinho, frágil. Não vou entrar em considerações políticas e religiosas, nem discutir o papel da Igreja e nem falar sobre suas posturas conservadoras. Tem gente mais competente que eu discutindo isso. O que eu quero dizer é que o Papa não é o Papa. Ele é um clone do Papa. Não me perguntem como eu sei. Eu sei. Tampouco sei o motivo da clonagem, apesar de poder imaginá-lo. E quero dizer isso antes que ele morra, pra depois não dizerem que eu peguei carona no assunto.
Outro clone famoso é o Boris Ieltsin. Há quanto tempo você não ouve falar dele? Hein? Hein? Pois é, clonaram o cidadão, entupiam-no de vodka para que que qualquer coisa soasse como coisa qualquer e o resultado disso tudo é o Putin. Isso tudo é a demonstração cabal de que Hume estava certíssimo nas suas elocubrações sobre o encadeamento de eventos, e que pode ser resumido na frase „Olha a merda que deu“, frase essa que eu não escrevei aqui, pois não sou senhora de utilizar tal palavreado chulo. Bem, para resumo da história, no final de tudo, sumiram com o Ieltsin, simplesmente apagaram os registros do homem, com todos os duplos sentidos possíveis. Claro que no fim das contas isso não faz a menor diferença, mas o que me intriga é que ninguém tenha percebido que aquele ser cambaleante não podia ser um ser , digamos assim, concebido originariamente (Aliás, agora que estou pensando nisso, já tem um tempão que não ouço falar do Gorbatchev, mas isso também não vem ao caso, pois ele até que pode ser considerado original).
Já o resultado do encadeamento de eventos no que se refere ao Papa, saberemos provavelmente em breve. Ou não. Mais eu não discuto e nem ventilo.

3.22.2005

Mês de Março

Muita gente já comentou, mas eu quero comentar tambem: Há pouco mais de 2 semanas, tivemos -14°C, e de repente, a temperatura subiu. Chegamos a 17°C. Calor, calor.
E uma coisa nao tem nada a ver com a outra, mas eu tinha alguns dias livres, de modo que fui passear na terra do Allan. Dessa vez, fomos a Grado. Havendo vida e disposição, teremos fotos mais tarde. Entenda como falsa promessa. Tem fotos aqui e aqui. Infelizmente nao sei ainda como lidar com o Flickr, de modo que as fotos novas e antigas estao todas misturadas...
Mas eu dizia: fez calor. Levada por um grande entusiasmo (o nome técnico é burrice), coloquei na bolsa além do biquini, 2 camisetas de alcinha, um short, e até uma minissaia como desafio a minha idade provecta. A temperatura nao passou dos 12°C, e ja é desnecessário dizer que passei um certo frio, que poderia ter sido pior, caso o bonitao tambem tivesse deixado de lado as roupas de inverno(que eu precisei usar). Além disso, outro fato negativo foi a comida: comemos mal (mas bebemos bem), os cardápios se repetiam em quase todas as cantinas, restaurantes e tavernas.
A parte boa, maravilhosa, que compensa tudo de negativo, é que a Itália é linda, linda, linda e quando eu ficar rica, vou morar lá. Talvez até antes disso. O centro histórico de Grado onde todos os moradores se conhecem, sua igreja com ruínas do ano 451, suas ruelas que eu amo, as casas tao típicas, uma alegria tao dificil de encontrar na Áustria, Ah, eu vou morar na Itália, pode esperar...
A viagem me fez perceber que preciso estudar mais história e geografia: comentei com o bonitao o fato de Grado ser tao absolutamente parecido com Crès, na Croácia, ao que ele respondeu que Crès é que se parece com Grado, já que que a Croácia no passado, fez parte da Itália. A aula ficou completa, depois que ele comentou tambem que a Ucrânia já pertenceu a Austria, o que eu ignorava absolutamente. Anh, tá explicado...
A viagem de volta foi uma das mais bonitas que eu já fiz: cruzamos a fronteira pela Eslovênia e atravessamos os Alpes. É claro que a viagem demora muito mais que pela auto estrada, mas nao há comparacao entre ir serpenteando pelas estradas sinuosas (e perigosas) tendo como paisagem de fundo um macico lindo e imponente como os Alpes. É como se sentir abracada pela grandeza, desculpem a falta de estilo. Uma coisa que me impressiona muito é a existência de pequenos Dorfs (povoados) espalhados pelos Alpes: alguns contam com 20, 30 casas, outros sao como grandes bairros, mas há tambem casas solitárias num raio de quilômetros: nao há bancos, hospitais, ousupermercados. Acho que é preciso muita coragem para morar absolutamente afastado de tudo, numa regiao onde a neve impede que haja circulacao por boa parte do ano.
Quase que a viagem termina em aventura: já bem avancados no caminho, vimos uma placa indicando a obrigatoriedade de pneus com corrente para neve, e nós estávamos com pneus de verao. O pior: a placa indicava ocorrência de avalanches. Por sorte, havia nevado pouco nos últimos dias (e por mais sorte ainda, havia uma caminhao limpa neves na nossa frente, um dos únicos 2 veículos que cruzamos em um longo tempo de viagem), e nao tivemos maiores problemas (além do motor do carro que ameacou esquentar demais. Motor fundido a 1500m de altura nao seria algo muito engracado, mas o Felicia mandou bem. Aproveito o parenteses para dizer que a marca do carro é realmente Skoda Felicia, chique). No final, ainda uma boa surpresa: depois de dias tendo refeicoes ruins, achamos o paraíso num pequeno restaurante na Eslovenia, encontrado por mero acaso. Chegamos em casa cansados, mas valeu.
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Março é tambem mês de aniversário de pessoas importantes, e a todos eles meu grande beijo: dia 06 foi o dia da titia Helô, dia 08 foi dia do meu irmao Júnior, e dia 27 será aniversário de minha amiga Vivi. E hoje é tambem aniversário de uma esportista voltaredondense - por acaso, é minha prima - que vem se destacando cada vez mais no circuito. ALÔ, ALÔ, meu povo, patrocínios sao muito bem vindos, nao é todo dia que se encontra alguem com esse potencial. Reproduzo uma das últims notícias sobre suas conquistas:


DANDARA É OURO E PRATA NO SUL AMERICANO DE NATAÇÃO
Swim It Up! Clipping / RIO DE JANEIRO
Mais uma revelação de Volta Redonda , a nadadora Dandara Mendes Antônio de 14anos , completa 15 anos , no dia mundial das águas, 22 de março . Conquista duas medalhas nos Campeonato Sul Americano de Natação na cidade de Santiago no estádio nacional do Chile, neste domingo .Seu tempo superou sua marca anterior o tempo no revezamento foi de 1.04.90

Dandara foi campeã na prova de revezamento 4x100medley e nadou com as nadadoras da seleção brasileira Ana Paula Azambuja ( nadou costas ), Ana Carolina Azambuja ( nado peito) Dandara Antônio( nado Borboleta) e Florence Souza ( nado crawl) as nadadoras completaram o percurso com o tempo de 4.31 , e nesta prova am nadadora Dandara recebeu a prova praticamente empatada e entregou a prova a Florence com 3 corpos de vantagens , dando supremacia a equipe do Brasil , esta foi a última prova do programa do Brasil neste campeonato . Já na quinta feira a atleta conquistou o vice campeonato ( medalha de prata) na prova de 100 borboleta com o tempo de 1.05.16 , perdendo por batida de mão para a Argentina Baressi que fez 1.04.67 . CADEL treinador de Dandara diz que tudo correu como planejado apesar de ter tido pouco tempo na preparação para este sul americano. Cadel se viu obrigado a ter começado o treino mais cedo ( 3 de janeiro) e ter treinado duas vezes ao dia de segunda a domingo , para que o resultado aparecesse , todo nosso esforço em busca de um bom resultado não foi em vão - diz Cadel . A nadadora é a única mulher do estado que nadou ganhando duas medalhas.


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A acentuacao está ruim? É, tambem acho. Problemas de quem escreve no lap top. Aguardo a volta para meu velho e bom Mac.

3.08.2005

Esqueci de Dizer

O post anterior é uma música, que o Belchior gravou. Conheci na minha outra vida.

3.07.2005

Resolvi atualizar o blog:

“Pequeno mapa do tempo”


Eu tenho medo e medo está por fora
O medo anda por dentro do meu coração
Eu tenho medo de que chegue a hora
Em que eu precise entrar no avião
Eu tenho medo de abrir a porta
Que dá pro sertão da minha solidão
Apertar o botão: cidade morta
Placa torta indicando a contramão
Faca de ponta e meu punhal que corta
E o fantasma escondido no porão

Medo, medo. Medo, medo, medo, medo

Eu tenho medo de Belo Horizonte
Eu tenho medo de Minas Gerais
Eu tenho medo que Natal Vitória
Eu tenho medo Goiânia Goiás
Eu tenho medo Salvador Bahia
Eu tenho medo Belém do Pará
Eu tenho medo Pai, Filho, Espírito Santo São Paulo
Eu tenho medo eu tenho C eu digo A
Eu tenho medo um Rio, um Porto Alegre, um Recife
Eu tenho medo Paraíba, medo Paranapá
Eu tenho medo estrela do norte, paixão, morte é certeza
Medo Fortaleza, medo Ceará

Medo, medo. Medo, medo, medo, medo

Eu tenho medo e já aconteceu
Eu tenho medo e inda está por vir
Morre o meu medo e isto não é segredo
Eu mando buscar outro lá no Piauí
Medo, o meu boi morreu, o que será de mim?
Manda buscar outro, maninha, lá no Piauí

1.16.2005

Oi

Queridos,
Estou com saudades de vocês. Tive uns problemas por esses dias. Assim que tudo voltar ao normal, nos encontramos de novo, sim:)

1.02.2005

Socorro, ela é minha irmã

Nossa, passei mal de tanto rir da Nanda. A parte do incêndio, eu fui testemunha - a culpa foi dela mesmo (bem feito, quem mandou chegar por último!?!?) Mas essa do São Francisco, francamente...


Momento de Dúvida

Eu li isso lá no blog da Flora: Batata não pensa, logo, não existe.
Nossa, eu nunca tinha pensado nisso. Será que eu sou uma batata??

1.01.2005

Sem Título

Ano Novo! A imagem que vem a mim é a das praias no Rio, a areia agora recoberta de garrafas de champanhe, latas de cerveja e coca-cola, flores, oferendas a Iemanjá, restos da festa de ontem. Lixo que o mar traz de volta. Essa imagem, lembrança de outros anos-novos, agora se associa aos milhares de corpos que eu vejo através das imagens na TV, corpos que o mar traz de volta . Eu sei, todo mundo parece já ter falado o suficiente sobre o tsunami, isso remete a um certo gosto pela tragédia, não? Não. Falar dela é minha forma de participar do mundo em que vivo.
De toda forma, a imagem mais chocante, mais marcante não são os milhares de corpos, nem as pessoas lutando pela sobrevivência. Foi quando da notícia de um terremoto e outro possível tsunami, levando pânico a população que me senti mais sensibilizada. Alguns corpos enfileirados na calçada, não muitos em comparação as cenas anteriores: trinta, quarenta, talvez menos. Entre eles, as pessoas correndo desesperadas, com medo de serem atingidas por outra onda, outra catástrofe.. Pensei no Ensaio sobre a Cegueira, pensei tambem no livro do Apocalipse. Que os cegos cuidem de seus cegos. Aos mortos, o cuidado com os mortos.
A vida volta ao normal para alguns, o noticiário do dia 29 já relatava as pessoas com sorrisos no rosto, outros que bebiam seus drinks e festejam a chegada próxima do Ano Novo, enquanto duas ruas adiante os escombros e cadáveres permaneciam. Pessoas são diferentes, reagem de formas diferentes àquilo que as cerca. Eu mesma só me impressionei após ver as imagens (o que demorou um pouco pois ficamos sem televisor uns dias); enquanto eram apenas cifras (que no 2° dia apontavam para cerca de 24 mil mortos), li as manchetes via internet, sem me envolver mais com o assunto.
No meio do caos, boas notícias, ou notícias que ainda me fazem ter esperança na humanidade: Sobre o engajamento e a ajuda prestada por milhares de anôninmos, meu orgulho. E sobre os políticos, que boa surpresa: aqui, nossa TV fica 90% do tempo sintonizada em canais alemães, por isso sei do empenho com que Schröder tem atuado nessa crise. Pronta e rapidamente o Kanzler foi a mídia oferecer solidariedade, coordenar ações, pedir empenho e se empenhar. „O mundo é um só “, foram as palavras dele no pronunciamento logo depois do Natal. É verdade.
Para todas as pessoas desse único mundo, desejo um Feliz Ano Todo.

12.29.2004

De Novo? Essa nao!!!!

É, aconteceu de novo: estou sem internet. Aqueles malvados da utaonline...só porque eu ultrapassei meu limite mensal de 3 Mb para 4Mb... Feiosos.
Bem, entao fica assim: eu passei para dizer que nao venho. Quer dizer, venho sim, mas só ano que vem, ou assim espero, se nao acontecer nada realmente catastrófico. (ja falei pra voces que o bonitao quase colocou fogo na casa e explodiu o televisor? Fica pra proxima.)Menos mal que o ano que vem ta logo ali...Enquanto isso, vou fazer trico e ler um pouco, pra variar.
Os meus votos pra voces em 2005:
Boas entradas. E por favor, boas saídas também. Já estou com saudades, snif, snif...
ADENDO IMPORTANTE: Os usuarios da casa ja estao sabendo, mas a quem vem pela primeira vez, fica o convite para o CLUBE DE LEITURAS: Passem no LLL (O endereco esta ai do lado: O Outro Alexandre:LLL, sorry, nao consigo fazer o link), aposto que voces vao gostar da ideia. Assim que der, escrevo mais sobre o assunto.

12.27.2004

Sobre Cachorros e Bebês

Que a Europa além de ser o Velho Continente é também um continente de velhos, todo mundo já sabe. Encontrei na internet dados que indicam o n° de 1,5 filhos para cada família. A média considerada ideal é de 2,1 filhos por casal. Aqui, o governo faz uma campanha de incentivo, com ajuda financeira (cerca de € 416,00 ), valor que aumenta à cada filho.
-Filhos são poucos, mas cachorro, eu vejo muitos. Inclusive cachorros passeando em carrinhos de bebês. Lembro sempre do Eduardo Dusek .
-O cuidado com crianças aqui não é um fato que diga respeito somente às mães, como geral e majoritariamente acontece no Brasil. O n° de pais que saem com as crianças, levam-nas a passear, ao médico, à escola, vão a reunião de pais, etc, etc, é quase igual ao n° de mães. Homens com carrinhos de bebês ou acompanhados de crianças maiores a caminho do supermercado, na fila do banco, ou simplesmente a passear indicam que – pelo menos visual e teoricamente - a responsabilidade com o cuidado dos pequenos é compartilhada.
- É comum, infelizmente comum demais para meu gosto, encontrar cachorros e seus respectivos donos em restaurantes, bares, ônibus, bondes, shoppings. Não, eu não me acostumo com isso, ter que viajar ao lado de cachorros ou vê-los ali, ao meu lado na mesa que reservei para o jantar...Por outro lado, acho surreal olhar pela janela e ver pessoas passeando na neve com seus cachorros
-Também não sei o motivo, mas raramente vejo bebês chorões. A princípio achei que talvez a maioria estivesse hibernando, afinal estamos num pais de clima frio. Mas não, vejo-os acordadinhos e calminhos. Outra coisa: as crianças aqui, desde novinhas, não correspondem àquelas brincadeirinhas típicas, tchauzinhos, nhenhemnhem e nhamnhamnhans. Eu às vezes sorrio para algumas nos ônibus e elas ficam me olhando, sérias. Me sinto como se tivesse levado um tapa na cara. São crianças, digamos, mais reservadas, se comparadas às nossas. Há exceções, é claro
- É raro, muito raro encontrar alguém, pai ou mãe, com um bebê no colo: estes estão sempre nos carrinhos. Ocasionalmente, vejo um dos pais com aquelas bolsas tipo canguru, onde o bebê vai a tiracolo. Mas é mais usual entre os estrangeiros, especialmente as africanas. Talvez seja essa falta de contato físico que explique o fato dos bebês não serem tão chorões. É, acho que é isso sim: nossos bebês, os brasileiros, choram mais ao se verem privados do contato. Se bem que então eu não consigo explicar os berreiros daqueles que vão nos colos dos pais. Ah, deixa pra lá, de bebês eu não entendo nada mesmo.
- Os ônibus e bondes tem lugares reservados aos carrinhos de bebês. As novas frotas já vem com um vagão especial sem degraus, onde o acesso é mais fácil. Quando não, e as escadas poderiam ser um empecilho, o motorista sai de seu lugar e ajuda o responsável a entrar no vagão. Devido à essa praticidade, as crianças utilizam o carrinho até os 4 anos (ou mais).
-Eu tinha mais alguma coisa para falar sobre cachorros, só que esqueci.

12.24.2004

Natal

Pois eu A-M-O o Natal. Das minhas melhores recordações de infância, fazem parte uma caixa que minha mãe deixava em cima do guarda-roupas: era lá que estavam os „enfeites de Natal“, com as bolas super frágeis que deveriam ficar fora do nosso alcance, mas nós sempre dávamos um jeito de alcançar – eu pelo menos: quando minha mãe não estava por perto, eu ia lá e ficava mexendo na caixa, amava aquilo, amava, amava, amava. E no final, sempre deixava uma das delicadas bloinhas cair no chão. Sinal de que eu ia apanhar...
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Minha mãe normalmente improvisava nossas árvores: como ela sempre gostou de plantas - e sempre as tivemos muitas – uma delas era a escolhida para ser a „enfeitada“. E até hoje eu acho bárbaro fazer neve-de-faz-de conta-de-algodão, guirlandas e o que mais vier. Morri de inveja da Nanda, ai como eu queria estar lá...
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Este é também o primeiro Natal sem meu pai , o terceiro sem mim. Fico imaginando minha mãe tão triste, tenho um sentimento de culpa me atropelando. Mais um motivo para querer estar lá. A filha ausente. Sempre a ausente.
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Aqui nós usamos pinheiros de verdade. Quase arrumei confusão com o bonitão: da minha família, trago o costume de montar a árvore de Natal no primeiro domingo de dezembro. Aqui, o costume – pasmem – é montar a árvore no dia 23 de dezembro. Eta, povim bárbaro. Bati pé, quero, porque quero: não foi no 1° domingo do mês, mas pelo menos a minha árvore já está pronta desde o domingo passado.
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Também já mandei os presentes para o Brasil, e sei que eles chegaram. Já me dei alguns presentes (que ainda não chegaram) e hoje, mais outros: estou me enganando que sou fluente em alemão; então me dei a „Montanha Mágica“, que custou €13,00 e - nossa, agora eu TENHO que ler - e comprei 4 volumes, encadernados em capa dura, dos russos: Dostoiewski, Tolstoi, Gogol, e Puschkin. Bestinha.
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Plágio: colei (mais ou menos) do Alexandre, do LLL:
Tem gente que não gosta de Natal, não acredita em Jesus, não gosta de comemorar a data. Tudo bem, cada um com seu cada qual, né? Pra esses, eu desejo uma boa noite. Sim?:)
E para aqueles que gostam da data, dos votos, dos cumprimentos, eu desejo um grande e realmente FELIZ Natal. E uma boa noite também, por que não?
Ah, sim:
Por favor, não se esqueçam do aniversariante, certo?



 
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