4.13.2005

Má(i)s Notícias da Áustria

O clima politico está quente por aqui. Tudo começou há alguns dias atrás, com uma cisão entre os ultra-extrema-direita e os “só”-extrema-direita, se é que vocês me entendem, do FPÖ (Partido da Liberdade, mais conhecido como partido do Haider).
Pois bem: Alguns membros do FPÖ, até então integrante minoritário do governo, em coalizão com o ÖVP (Partido do Povo, de centro-direita), acusando Haider de trair os ideiais do partiddo e de ser o responsável por uma série de derrotas eleitorais, começaram um processo de fritura de Haider, que resultou, por parte deste, na – rápida – criação de uma nova legenda, o BZÖ (Aliança pelo Futuro da Áustria). Pois o recém nato BZÖ já arrastou consigo, só em Viena, 8 dos 21 mandatários do FPÖ. Pelo resto do país, a adesão também tem sido grande. O Der Standard, (link ao lado) tem uma retrospectiva dos acontecimentos e uma cobertura imparcial do tema (em alemão). -Aliás, anteontem uma das chamadas tinha o título: “Rumo à República das bananas?” o que já provoca algumas reações galhofeiras: em menção à cor-símbolo adotada pelo BZÖ – laranja -, um leitor envia uma carta ao jornal dizendo que de “laranjas e bananas, o cesto já está cheio”. -

A oposição, formada pelo SPÖ (centro-esquerda) e os Grünen (à esquerda do centro) entrou com um pedido de novas eleições, alegando que o BZÖ, o novo partido de Haider, não foi legalmente eleito, já que não existia à época do pleito eleitoral, mas há uma complicada relação jurídica e política a ser discutida, da qual eu não entendo absolutamente nada. Hoje é dia de reunião no Conselho Nacional, onde novas eleições, a dívida finaceira do FPÖ e o financiamento do BZÖ serão discutidos (para entender o sistema politico, sugiro visitas aqui aqui

Numa pesquisa de opinião, 57% dos entrevistados se disseram a favor de novas eleições, contra 32% que defendem a nova coalizão e 11% que não sabem. Pelo que tenho visto em termos de mobilização do povo austríaco até aqui, acho que dificilmente elas irão acontecer.Schüssel, o Bundezkanzler do ÖVP, não tem nenhum interesse em novas eleições (é claro, o risco de perder posições no governo é enorme) e já disse que aceita prazerosamente governar com Haider, que é o que ele vem naturalmente fazendo até aqui.
O que me preocupa é o evidente fortalecimento de Haider, que teve a esperteza de se distanciar dos ultra-.extrema-direita, projetando uma imagem de modernismo sem mudar uma só linha de seu discurso extrema-direita . Ele não tem o carisma de um Hitler, mas ainda assim, carisma suficiente e guardadas – todas – as devidas proporções, é possível compará-lo ao Collor (inclusive fisicamente, a mesma boa forma, sempre bronzeado e bonitão), com seus discursos de efeito, suas declarações populistas que exprimem realmente o desejo popular e que alcançam facilmente os ouvidos de uma nação onde a situação económica vem se deteriorando constantemente. O BZÖ não é nada mais do que o velho ideário de Haider, apresentado em nova roupagem, preocupante num momento em que o número de desempregados aqui é recorde absoluto na história. E acho que tende a aumentar se lembrarmos, para dar um exemplo, que países pobres como a Polônia adentraram recentemtente a EU o que me faz supor que o número de imigrantes desempregados tende a crescer sem que o governo tenha uma politica de criação de postos de trabalho. Neste caso, mais pontos para Haider que já tem o discurso segregacionista e xenófobo pronto há anos.
Sem intenção de alardear o menor pânico, e lembrando que a conjuntura atual é bastante diferente da do pós-guerra, infelizmente lembro-me também de que a trajetória politica de Hitler e Haider tem sido até aqui, muito, muito parecida. Vamos a ver o que acontece.

Um comentário:

Anônimo disse...

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