Sugestão para um epitáfio :
"Morreu sem saber o que queria.
Mas se eu morrer semana que vem, provavelmente terei mudado de idéia...
4.27.2005
4.24.2005
Elos e Corrente
O Manoel é um querido. Sim, não encontro expressão melhor para dizê-lo: um querido de marca maior, uma dessas felicidades que a internet me trouxe. Seu Agreste é um ponto de encontro e referencia da cultura nordestina, mas não só tanta: é parada obrigatória para se abastecer de simpatia. Sobre o Manoel, a Nora já falou aqui mais e muito melhor do que eu poderia. E como se não bastasse isso tudo, o Manoel ainda é pai da Flora...
Pois bem, foi ele quem me convidou para participar de uma corrente. Não, corrente não é o termo certo, eu fui convidada como parte de um elo, o elo agrestino, do qual me orgulho muito de participar. Transcrevo aqui as palavras dele, que explicam os motivos para ter aceito o convite, razões que são minhas também. E logo depois, minhas respostas:
Correntes e elos:
Por hábito, não participo de correntes.
Muitas delas são motivadas pela cobiça, alguns querem ganhar dinheiro em progressão geométrica; não alimento isto. Outras correntes são movidas pelo atraso, por superstições, das quais não compartilho; mantenho-me à distância. Ainda há correntes bem intencionadas, mas pouco práticas; uma delas visava a distribuição de livros, mas a dificuldade com remessas fazia muita gente desistir e a corrente era quebrada.
Atualmente, com o advento da internet, passou a existir um tipo de corrente cujos participantes nem se dão conta de que participam das mesmas; são avisos de vírus ou similares e resultam, às vezes, no fornecimento de endereços dos quais alguns inescrupulosos se apropriam.
Como prática, se me propõem uma corrente, respondo: — por favor, me inclua fora desta!
Após muitos anos, resolvi aceitar participar de uma corrente.
E o fiz por considerar que a mesma é prática e salutar.
Trata-se de propagação de uma entrevista sobre Literatura da Língua Portuguesa. As perguntas são sobre a relação do entrevistado, na condição de leitor, com a literatura.
E o fato de respondermos a estas perguntas, sem ameaçar a privacidade de cada um de nós, ajuda a revelar o perfil de cada um. É bom sabermos o que aqueles com os quais nos relacionamos lêem. Talvez outras perguntas pudessem ser formuladas, mas estas são básicas e, em se tratando de generalização, é melhor assim.
Devo responder às perguntas da entrevista, reproduzindo-a aqui. Ao mesmo tempo, devo indicar outras pessoas - no mínimo três. As pessoas indicadas por mim, caso aceitem, deverão fazer o mesmo que eu....
A seguir, a entrevista e as indicações.
Ex-Libris da Tugosfera
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
“Memorial do Convento”, de José Saramago.
Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?
Sim, por duas mulheres: a primeira foi a Morgana, das Brumas de Avalon, pois caiu todo o mito da bruxa má. Foi um livro que li há mais de 14 anos atrás, e enxerguei Morgana apenas como mulher, com defeitos e virtudes. E uma coisa engraçada, não tem muito a ver com a pergunta, mas ela é também um personagem que tem rosto muito claro: na minha imaginação, a Morgana é a cara da Mercedes Soza, outra mulher que adoro (espero que fique claro que isso é um elogio a ambas).
A outra personagem, é Blimunda: uma Mulher que eu gostaria de ser, corajosa, luta, ama, se entrega, vai as portas da morte e sobrevive. Eu a imagino tão linda, tão forte, tão cheia de garra e sensível ao mesmo tempo. E o mais bonito é o jeito dela de amar: Blimunda e Baltasar se encontraram na juventude. E depois de vários anos juntos, já na velhice, há uma passagem do livro que reflete o quanto esse amor é intenso, não só por resistir à passagem dos anos, mas por Blimunda e Baltasar serem pessoas que "como são se vêem" : ”...e se temos à mão um espelho, Jesus, como o tempo passou, como eu me tornei velho...Baltasar não tem espelhos, a não ser estes nossos olhos que o estão vendo descer o caminho lamacento para a vila, e são eles que lhe dizem, Tens a barba cheia de brancas, Baltasar, tens a testa carregada de rugas, Baltasar, tens encorreado o pescoço, Baltasar, já te descaem os ombros, Baltasar, nem pareces o mesmo homem, Baltasar, mas isto é certamente defeito dos olhos que usamos, porque aí vem justamente uma mulher, e onde nós víamos um homem velho, vê ela um homem novo...ou nem sequer a esse vê, apenas a este homem que desce, sujo , canoso e maneta, Sete-sóis de alcunha, se a merece tanta canseira, mas é um constante sol para esta mulher, não por sempre brilhar, mas por existir tanto, escondido de nuvens, tapado de eclipses, mas vivo...” O motivo maior para eu amar Blimunda: ela é uma mulher que vê. Ela soube ver o amor e vivê-lo plenamente. Quem leu este livro sabe que isso é mais um clichê.
Qual foi o último livro que compraste?
Comprei “Bartebly & Co.” de Enrique Vila-Matas e o “Leviathan” de Paul Auster. Ainda não comecei a leitura de nenhum dos dois, e acho que vou demorar a ler, já que estão em alemão e nesta língua eu leio muito devagar.
Qual o último livro que leste?
Vou incluir na lista algumas leituras deste ano: Descobri Lobo Antunes e me apaixonei por ele: todo mundo merece ler este homem. Dele, “Fado Alexandrino”, “Os Cus de Judas”, “Manual dos Inquisidores” , A Explicação dos Pássaros”, falam não só das angústias e frustrações do próprio Lobo Antunes, ao retornar a Portugal depois da Guerra em Angola, como também mostram um retrato da própria Portugal, sua sociedade, sua imagem e auto-imagem, nem sempre condizentes entre si. Outro livro bom, mas que li na “hora errada” foi “Perdas e Ganhos”, da Lya Luft. Também li “Vivirla para Contarla” do Garcia Marquez, que apesar de auto-biográfico, alguns dizem ser um livro cheio de mentiras. Pois se são mentiras eu não sei, só sei que foram então invenções muito saborosas da cabeça do Garcia Marquez. E teve também “Histórias Fantásticas” de Bioy Casares, de quem nunca havia lido nada. Gostei muito. O que li e não gostei: “Os Sete Pecados Capitais”, contos escritos por diversos autores, e Vista del Amanecer en el Trópico”, do Cabrera Infante.
Que livros estás a ler?
No momento, estou com “La Muerte de Artemio Cruz”, do Carlos Fuentes e “Die geheimnisvolle Flamme der Königin Loana”, do Umberto Eco. Este último anda parado em função daquele, que se tornou prioridade por causa de uma apresentação no meu curso.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
O “Memorial do Convento”, com certeza, mas na verdade levaria todos os livros do Saramago, e só aí já seriam mais de cinco. Também levaria “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, bem como “Memorias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Há um livro do António Olinto, acho que se chama “Memoria da Água”, que eu levaria com prazer, e pelo que descobri do Lobo Antunes, levaria dele tudo o que ainda não li. Aqui ficam só autores da língua portuguesa.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
Preciso dizer que o Manoel, alem de ser um querido, é também um fominha-:)...Pois não é ele passou a corrente para quase todas as pessoas do mundo virtual que eu pensaria em indicar?! E essas pessoas certamente fazem elo com a outra parte de amigos que ele não indicou... Então, vou indicar duas amigas do mundo “real”, Andreia e Virgínia. Uma e outra se interessam por livros e literatura, tenho certeza que virão respostas interessantes. A terceira pessoa é a Anna dona um blog que eu descobri recentemente e do quel gostei muito. Não a conheço bem, mas minha intuição me diz que tanto as perguntas interessarão à ela como as respostas interessarão a muita gente. Fica também o convite: quem quiser se apropriar da corrente e quiser levá-la adiante, é bem vindo ...
Pois bem, foi ele quem me convidou para participar de uma corrente. Não, corrente não é o termo certo, eu fui convidada como parte de um elo, o elo agrestino, do qual me orgulho muito de participar. Transcrevo aqui as palavras dele, que explicam os motivos para ter aceito o convite, razões que são minhas também. E logo depois, minhas respostas:
Correntes e elos:
Por hábito, não participo de correntes.
Muitas delas são motivadas pela cobiça, alguns querem ganhar dinheiro em progressão geométrica; não alimento isto. Outras correntes são movidas pelo atraso, por superstições, das quais não compartilho; mantenho-me à distância. Ainda há correntes bem intencionadas, mas pouco práticas; uma delas visava a distribuição de livros, mas a dificuldade com remessas fazia muita gente desistir e a corrente era quebrada.
Atualmente, com o advento da internet, passou a existir um tipo de corrente cujos participantes nem se dão conta de que participam das mesmas; são avisos de vírus ou similares e resultam, às vezes, no fornecimento de endereços dos quais alguns inescrupulosos se apropriam.
Como prática, se me propõem uma corrente, respondo: — por favor, me inclua fora desta!
Após muitos anos, resolvi aceitar participar de uma corrente.
E o fiz por considerar que a mesma é prática e salutar.
Trata-se de propagação de uma entrevista sobre Literatura da Língua Portuguesa. As perguntas são sobre a relação do entrevistado, na condição de leitor, com a literatura.
E o fato de respondermos a estas perguntas, sem ameaçar a privacidade de cada um de nós, ajuda a revelar o perfil de cada um. É bom sabermos o que aqueles com os quais nos relacionamos lêem. Talvez outras perguntas pudessem ser formuladas, mas estas são básicas e, em se tratando de generalização, é melhor assim.
Devo responder às perguntas da entrevista, reproduzindo-a aqui. Ao mesmo tempo, devo indicar outras pessoas - no mínimo três. As pessoas indicadas por mim, caso aceitem, deverão fazer o mesmo que eu....
A seguir, a entrevista e as indicações.
Ex-Libris da Tugosfera
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
“Memorial do Convento”, de José Saramago.
Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?
Sim, por duas mulheres: a primeira foi a Morgana, das Brumas de Avalon, pois caiu todo o mito da bruxa má. Foi um livro que li há mais de 14 anos atrás, e enxerguei Morgana apenas como mulher, com defeitos e virtudes. E uma coisa engraçada, não tem muito a ver com a pergunta, mas ela é também um personagem que tem rosto muito claro: na minha imaginação, a Morgana é a cara da Mercedes Soza, outra mulher que adoro (espero que fique claro que isso é um elogio a ambas).
A outra personagem, é Blimunda: uma Mulher que eu gostaria de ser, corajosa, luta, ama, se entrega, vai as portas da morte e sobrevive. Eu a imagino tão linda, tão forte, tão cheia de garra e sensível ao mesmo tempo. E o mais bonito é o jeito dela de amar: Blimunda e Baltasar se encontraram na juventude. E depois de vários anos juntos, já na velhice, há uma passagem do livro que reflete o quanto esse amor é intenso, não só por resistir à passagem dos anos, mas por Blimunda e Baltasar serem pessoas que "como são se vêem" : ”...e se temos à mão um espelho, Jesus, como o tempo passou, como eu me tornei velho...Baltasar não tem espelhos, a não ser estes nossos olhos que o estão vendo descer o caminho lamacento para a vila, e são eles que lhe dizem, Tens a barba cheia de brancas, Baltasar, tens a testa carregada de rugas, Baltasar, tens encorreado o pescoço, Baltasar, já te descaem os ombros, Baltasar, nem pareces o mesmo homem, Baltasar, mas isto é certamente defeito dos olhos que usamos, porque aí vem justamente uma mulher, e onde nós víamos um homem velho, vê ela um homem novo...ou nem sequer a esse vê, apenas a este homem que desce, sujo , canoso e maneta, Sete-sóis de alcunha, se a merece tanta canseira, mas é um constante sol para esta mulher, não por sempre brilhar, mas por existir tanto, escondido de nuvens, tapado de eclipses, mas vivo...” O motivo maior para eu amar Blimunda: ela é uma mulher que vê. Ela soube ver o amor e vivê-lo plenamente. Quem leu este livro sabe que isso é mais um clichê.
Qual foi o último livro que compraste?
Comprei “Bartebly & Co.” de Enrique Vila-Matas e o “Leviathan” de Paul Auster. Ainda não comecei a leitura de nenhum dos dois, e acho que vou demorar a ler, já que estão em alemão e nesta língua eu leio muito devagar.
Qual o último livro que leste?
Vou incluir na lista algumas leituras deste ano: Descobri Lobo Antunes e me apaixonei por ele: todo mundo merece ler este homem. Dele, “Fado Alexandrino”, “Os Cus de Judas”, “Manual dos Inquisidores” , A Explicação dos Pássaros”, falam não só das angústias e frustrações do próprio Lobo Antunes, ao retornar a Portugal depois da Guerra em Angola, como também mostram um retrato da própria Portugal, sua sociedade, sua imagem e auto-imagem, nem sempre condizentes entre si. Outro livro bom, mas que li na “hora errada” foi “Perdas e Ganhos”, da Lya Luft. Também li “Vivirla para Contarla” do Garcia Marquez, que apesar de auto-biográfico, alguns dizem ser um livro cheio de mentiras. Pois se são mentiras eu não sei, só sei que foram então invenções muito saborosas da cabeça do Garcia Marquez. E teve também “Histórias Fantásticas” de Bioy Casares, de quem nunca havia lido nada. Gostei muito. O que li e não gostei: “Os Sete Pecados Capitais”, contos escritos por diversos autores, e Vista del Amanecer en el Trópico”, do Cabrera Infante.
Que livros estás a ler?
No momento, estou com “La Muerte de Artemio Cruz”, do Carlos Fuentes e “Die geheimnisvolle Flamme der Königin Loana”, do Umberto Eco. Este último anda parado em função daquele, que se tornou prioridade por causa de uma apresentação no meu curso.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
O “Memorial do Convento”, com certeza, mas na verdade levaria todos os livros do Saramago, e só aí já seriam mais de cinco. Também levaria “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, bem como “Memorias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Há um livro do António Olinto, acho que se chama “Memoria da Água”, que eu levaria com prazer, e pelo que descobri do Lobo Antunes, levaria dele tudo o que ainda não li. Aqui ficam só autores da língua portuguesa.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
Preciso dizer que o Manoel, alem de ser um querido, é também um fominha-:)...Pois não é ele passou a corrente para quase todas as pessoas do mundo virtual que eu pensaria em indicar?! E essas pessoas certamente fazem elo com a outra parte de amigos que ele não indicou... Então, vou indicar duas amigas do mundo “real”, Andreia e Virgínia. Uma e outra se interessam por livros e literatura, tenho certeza que virão respostas interessantes. A terceira pessoa é a Anna dona um blog que eu descobri recentemente e do quel gostei muito. Não a conheço bem, mas minha intuição me diz que tanto as perguntas interessarão à ela como as respostas interessarão a muita gente. Fica também o convite: quem quiser se apropriar da corrente e quiser levá-la adiante, é bem vindo ...
4.17.2005
Meus Problemas Acabaram (e os dela só começaram!!)
Amiga(o),
Você anda cansada (o) dessa vidinha monótona? Acha que nada de emocionante acontece com você? Quer um pouco mais de adrenalina e emoções fortes no seu dia-a-dia? Pois seus problemas terminaram: Basta ter uma irmã, do tipo que pede favores simples como ir ao banco. Sua vida nunca mais vai ser a mesma.
Irmã: resolve qualquer parada. Irmã: é mais um lançamento imperdível das organizações Felijaras.
Você anda cansada (o) dessa vidinha monótona? Acha que nada de emocionante acontece com você? Quer um pouco mais de adrenalina e emoções fortes no seu dia-a-dia? Pois seus problemas terminaram: Basta ter uma irmã, do tipo que pede favores simples como ir ao banco. Sua vida nunca mais vai ser a mesma.
Irmã: resolve qualquer parada. Irmã: é mais um lançamento imperdível das organizações Felijaras.
4.13.2005
Má(i)s Notícias da Áustria
O clima politico está quente por aqui. Tudo começou há alguns dias atrás, com uma cisão entre os ultra-extrema-direita e os “só”-extrema-direita, se é que vocês me entendem, do FPÖ (Partido da Liberdade, mais conhecido como partido do Haider).
Pois bem: Alguns membros do FPÖ, até então integrante minoritário do governo, em coalizão com o ÖVP (Partido do Povo, de centro-direita), acusando Haider de trair os ideiais do partiddo e de ser o responsável por uma série de derrotas eleitorais, começaram um processo de fritura de Haider, que resultou, por parte deste, na – rápida – criação de uma nova legenda, o BZÖ (Aliança pelo Futuro da Áustria). Pois o recém nato BZÖ já arrastou consigo, só em Viena, 8 dos 21 mandatários do FPÖ. Pelo resto do país, a adesão também tem sido grande. O Der Standard, (link ao lado) tem uma retrospectiva dos acontecimentos e uma cobertura imparcial do tema (em alemão). -Aliás, anteontem uma das chamadas tinha o título: “Rumo à República das bananas?” o que já provoca algumas reações galhofeiras: em menção à cor-símbolo adotada pelo BZÖ – laranja -, um leitor envia uma carta ao jornal dizendo que de “laranjas e bananas, o cesto já está cheio”. -
A oposição, formada pelo SPÖ (centro-esquerda) e os Grünen (à esquerda do centro) entrou com um pedido de novas eleições, alegando que o BZÖ, o novo partido de Haider, não foi legalmente eleito, já que não existia à época do pleito eleitoral, mas há uma complicada relação jurídica e política a ser discutida, da qual eu não entendo absolutamente nada. Hoje é dia de reunião no Conselho Nacional, onde novas eleições, a dívida finaceira do FPÖ e o financiamento do BZÖ serão discutidos (para entender o sistema politico, sugiro visitas aqui aqui
Numa pesquisa de opinião, 57% dos entrevistados se disseram a favor de novas eleições, contra 32% que defendem a nova coalizão e 11% que não sabem. Pelo que tenho visto em termos de mobilização do povo austríaco até aqui, acho que dificilmente elas irão acontecer.Schüssel, o Bundezkanzler do ÖVP, não tem nenhum interesse em novas eleições (é claro, o risco de perder posições no governo é enorme) e já disse que aceita prazerosamente governar com Haider, que é o que ele vem naturalmente fazendo até aqui.
O que me preocupa é o evidente fortalecimento de Haider, que teve a esperteza de se distanciar dos ultra-.extrema-direita, projetando uma imagem de modernismo sem mudar uma só linha de seu discurso extrema-direita . Ele não tem o carisma de um Hitler, mas ainda assim, carisma suficiente e guardadas – todas – as devidas proporções, é possível compará-lo ao Collor (inclusive fisicamente, a mesma boa forma, sempre bronzeado e bonitão), com seus discursos de efeito, suas declarações populistas que exprimem realmente o desejo popular e que alcançam facilmente os ouvidos de uma nação onde a situação económica vem se deteriorando constantemente. O BZÖ não é nada mais do que o velho ideário de Haider, apresentado em nova roupagem, preocupante num momento em que o número de desempregados aqui é recorde absoluto na história. E acho que tende a aumentar se lembrarmos, para dar um exemplo, que países pobres como a Polônia adentraram recentemtente a EU o que me faz supor que o número de imigrantes desempregados tende a crescer sem que o governo tenha uma politica de criação de postos de trabalho. Neste caso, mais pontos para Haider que já tem o discurso segregacionista e xenófobo pronto há anos.
Sem intenção de alardear o menor pânico, e lembrando que a conjuntura atual é bastante diferente da do pós-guerra, infelizmente lembro-me também de que a trajetória politica de Hitler e Haider tem sido até aqui, muito, muito parecida. Vamos a ver o que acontece.
Pois bem: Alguns membros do FPÖ, até então integrante minoritário do governo, em coalizão com o ÖVP (Partido do Povo, de centro-direita), acusando Haider de trair os ideiais do partiddo e de ser o responsável por uma série de derrotas eleitorais, começaram um processo de fritura de Haider, que resultou, por parte deste, na – rápida – criação de uma nova legenda, o BZÖ (Aliança pelo Futuro da Áustria). Pois o recém nato BZÖ já arrastou consigo, só em Viena, 8 dos 21 mandatários do FPÖ. Pelo resto do país, a adesão também tem sido grande. O Der Standard, (link ao lado) tem uma retrospectiva dos acontecimentos e uma cobertura imparcial do tema (em alemão). -Aliás, anteontem uma das chamadas tinha o título: “Rumo à República das bananas?” o que já provoca algumas reações galhofeiras: em menção à cor-símbolo adotada pelo BZÖ – laranja -, um leitor envia uma carta ao jornal dizendo que de “laranjas e bananas, o cesto já está cheio”. -
A oposição, formada pelo SPÖ (centro-esquerda) e os Grünen (à esquerda do centro) entrou com um pedido de novas eleições, alegando que o BZÖ, o novo partido de Haider, não foi legalmente eleito, já que não existia à época do pleito eleitoral, mas há uma complicada relação jurídica e política a ser discutida, da qual eu não entendo absolutamente nada. Hoje é dia de reunião no Conselho Nacional, onde novas eleições, a dívida finaceira do FPÖ e o financiamento do BZÖ serão discutidos (para entender o sistema politico, sugiro visitas aqui aqui
Numa pesquisa de opinião, 57% dos entrevistados se disseram a favor de novas eleições, contra 32% que defendem a nova coalizão e 11% que não sabem. Pelo que tenho visto em termos de mobilização do povo austríaco até aqui, acho que dificilmente elas irão acontecer.Schüssel, o Bundezkanzler do ÖVP, não tem nenhum interesse em novas eleições (é claro, o risco de perder posições no governo é enorme) e já disse que aceita prazerosamente governar com Haider, que é o que ele vem naturalmente fazendo até aqui.
O que me preocupa é o evidente fortalecimento de Haider, que teve a esperteza de se distanciar dos ultra-.extrema-direita, projetando uma imagem de modernismo sem mudar uma só linha de seu discurso extrema-direita . Ele não tem o carisma de um Hitler, mas ainda assim, carisma suficiente e guardadas – todas – as devidas proporções, é possível compará-lo ao Collor (inclusive fisicamente, a mesma boa forma, sempre bronzeado e bonitão), com seus discursos de efeito, suas declarações populistas que exprimem realmente o desejo popular e que alcançam facilmente os ouvidos de uma nação onde a situação económica vem se deteriorando constantemente. O BZÖ não é nada mais do que o velho ideário de Haider, apresentado em nova roupagem, preocupante num momento em que o número de desempregados aqui é recorde absoluto na história. E acho que tende a aumentar se lembrarmos, para dar um exemplo, que países pobres como a Polônia adentraram recentemtente a EU o que me faz supor que o número de imigrantes desempregados tende a crescer sem que o governo tenha uma politica de criação de postos de trabalho. Neste caso, mais pontos para Haider que já tem o discurso segregacionista e xenófobo pronto há anos.
Sem intenção de alardear o menor pânico, e lembrando que a conjuntura atual é bastante diferente da do pós-guerra, infelizmente lembro-me também de que a trajetória politica de Hitler e Haider tem sido até aqui, muito, muito parecida. Vamos a ver o que acontece.
4.06.2005
Acontecidos e acontecendo
Eu não contei o motivo do sumiço em Janeiro: foi uma época ruim, por causa do episódio que ficou conhecido como o Incêndio da Árvore de Natal. Não, a casa não pegou fogo (só uma pequena parte foi danificada, e imaginem, é uma casa de madeira), mas uma pessoa (Pessoa) se queimou e esteve por 3 semanas no hospital. Em resumo: foi heavy. Ainda não sei se quero falar mais sobre isso, então, vamos combinar uma coisa: sem comentários, tá?. Estou contando agora, como diria meu pai, só para dar uma satisfação...
Mas como nem tudo é ruim o tempo todo I, aconteceu uma coisa muito bonita, que não quero deixar de comentar antes de sumir: já falei pra vocês que gosto de plantas, e que costumo das nomes às minhas. Pois uma delas, minha jibóia chamada Blimunda sofreu muito com o episódio do Incêndio da Árvore de Natal, as folhas secaram e ficaram de cor marron, de modo que cortei TODAS as suas folhinhas restando apenas uns galhinhos ressequidos. Achei que ela estivesse morta, mas contraditoriamente, não quis jogá-la fora. Depois quase dois meses, não é que ela renasceu como Fênix, linda, cheia de folhinhas verdes e viçosas!! Aqui tem fotos que eu mandei para a companhia de seguros, e Blimunda é a que está no cantinho, perto da estante)
E como nem tudo é ruim o tempo todo II, aconteceu uma coisa muito boa, que foi assim: em Janeiro, virei habituê de hospital, todo dia ia visitar a Pessoa, que estava a maior parte do tempo sedada. E nessas horas, bem , não há muito o que fazer (sem contar chorar, rezar, se desesperar, etc), de modo que ou eu faço tricô, ou leio, ou as duas coisas ao mesmo tempo. E como não estava tricotando nada, tive muito tempo para ler. Foi assim que me apaixonei: conheci finalmente António Lobo Antunes. Li “Memorial dos Inquisidores”, “A Morte de Gardel”, “Os Cus de Judas”, “Fado Alexandrino” e “A Explicação dos Pássaros”. Entre eles, li também “Perdas e Ganhos”, da Lya Luft, o livro certo na hora errada, assim como a coletânea “Os Sete Pecados Capitais”. Deste último, não gostei; talvez o meu sentimento fosse outro se eu o tivesse lido antes do Lobo Antunes. E como precisava treinar meu espanhol (na verdade precisava estudar gramática, mas como vocês já notaram pelo meu excesso de erros ortográficos, não sou mulher de fazer essas coisas, azar o meu), aproveitei também para ler “Vista del Amanecer en el Trópico”, do Cabrera Infante, e as “Histórias Fantásticas” de Bioy Casares. Também me apaixonei pelo último e não gostei do primeiro. Por último, o maravilhoso “Vivirla para Contarla”, do Garcia Marquez, que amei. No momento, deixei o espanhol de lado e estou me engalfinhando no Umberto Eco, em alemão: “Die geheimnisvolle Flamme der Königin Loana” ou a Misteriosa Chama da Rainha Loana, que é o título que imagino em português. E constato que meu alemão continua fraquíssimo, tem parágrafos inteiros que não consigo captar (e dificulta mais ainda por ser um livro que faz várias referencias a músicas, gibis, imagens e objetos da geração de Eco). Um dia, se tiver tempo, gostaria de comentar essas leituras detalhadamente, vamos a ver...
Daí se segue que nem tudo é ruim o tempo todo III, e eu também não contei que em Janeiro (ou em Fevereiro? De qualquer modo, parece que ja foi em outra vida), apesar desse meu alemão ruinzinho, fiz a prova de suficiência que me daria acesso à Universidade, e fui aprovada. Aí tem história, vou contar rapidinho: A prova é dividida em 4 partes: LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO (onde costumo me dar bem, nos simulados acertei sempre entre 80% e 100%), GRAMÁTICA (onde SEMPRE me dou mal; nunca sei se uma palavra termina em em, en, es, er, e não consigo encontrar a lógica numa gramática com artigos feminino, masculino e neutro distribuídos sem lógica aparente. Além disso, costumo trocar os verbos de lugar nas orações. Mas é burrice minha com certeza, já que todos os meus colegas conseguiram aprender. Nos simulados, acertei sempre só o suficiente para passar raspando, sem maiores comentários) e REDAÇÃO, onde costumo receber muitos elogios pela argumentação e estruturação, sem que, nem por isso, a professora deixe de descontar pontos já que eu cometo muitos erros...gramaticais. Pois bem, como de praxe, acertei exatamente o n° de questões suficientes para não ser reprovada na área de gramática, contraditoriamente não cometi os erros de concordância e finalização de palavras que me são comuns na redação e simplesmente, NÃO VI parte das questões de interpretação de texto mamão com açúcar que estavam no verso da prova. Das questões que respondi nesta parte, acertei 100%, o que foi minha salvação. Acho que se tivesse respondido a todas, poderia alcançar a nota 2=bom, mas depois desse vacilo, consegui só um 3=suficiente. Quem é aprovado nestas etapas, encara a prova ORAL, onde também consegui ser aprovada. Enfim, foi isso.
Agora sou uma universitária que assiste as aulas, sem entender muito bem o que está sendo falado, e bem...eu acho que endoideci (mais).
E como nem tudo é bom o tempo todo, isso quer dizer que devo dar uma sumida básica de novo: preciso aprender um BOM alemão de qualquer jeito, sob pena de desperdiçar os 750€ que paguei na Uni por este semestre. Para começar, redigir nesta língua barbara, e deixar um pouco de lado as leituras em português. Vou continuar visitando todo mundo na medida do possível, mas se eu sumir por um bom tempo, desta vez vocês já sabem o motivo. Então, auf Wiedersehen!
PS.: Prometo voltar e responder os comentários do último post...
Mas como nem tudo é ruim o tempo todo I, aconteceu uma coisa muito bonita, que não quero deixar de comentar antes de sumir: já falei pra vocês que gosto de plantas, e que costumo das nomes às minhas. Pois uma delas, minha jibóia chamada Blimunda sofreu muito com o episódio do Incêndio da Árvore de Natal, as folhas secaram e ficaram de cor marron, de modo que cortei TODAS as suas folhinhas restando apenas uns galhinhos ressequidos. Achei que ela estivesse morta, mas contraditoriamente, não quis jogá-la fora. Depois quase dois meses, não é que ela renasceu como Fênix, linda, cheia de folhinhas verdes e viçosas!! Aqui tem fotos que eu mandei para a companhia de seguros, e Blimunda é a que está no cantinho, perto da estante)
E como nem tudo é ruim o tempo todo II, aconteceu uma coisa muito boa, que foi assim: em Janeiro, virei habituê de hospital, todo dia ia visitar a Pessoa, que estava a maior parte do tempo sedada. E nessas horas, bem , não há muito o que fazer (sem contar chorar, rezar, se desesperar, etc), de modo que ou eu faço tricô, ou leio, ou as duas coisas ao mesmo tempo. E como não estava tricotando nada, tive muito tempo para ler. Foi assim que me apaixonei: conheci finalmente António Lobo Antunes. Li “Memorial dos Inquisidores”, “A Morte de Gardel”, “Os Cus de Judas”, “Fado Alexandrino” e “A Explicação dos Pássaros”. Entre eles, li também “Perdas e Ganhos”, da Lya Luft, o livro certo na hora errada, assim como a coletânea “Os Sete Pecados Capitais”. Deste último, não gostei; talvez o meu sentimento fosse outro se eu o tivesse lido antes do Lobo Antunes. E como precisava treinar meu espanhol (na verdade precisava estudar gramática, mas como vocês já notaram pelo meu excesso de erros ortográficos, não sou mulher de fazer essas coisas, azar o meu), aproveitei também para ler “Vista del Amanecer en el Trópico”, do Cabrera Infante, e as “Histórias Fantásticas” de Bioy Casares. Também me apaixonei pelo último e não gostei do primeiro. Por último, o maravilhoso “Vivirla para Contarla”, do Garcia Marquez, que amei. No momento, deixei o espanhol de lado e estou me engalfinhando no Umberto Eco, em alemão: “Die geheimnisvolle Flamme der Königin Loana” ou a Misteriosa Chama da Rainha Loana, que é o título que imagino em português. E constato que meu alemão continua fraquíssimo, tem parágrafos inteiros que não consigo captar (e dificulta mais ainda por ser um livro que faz várias referencias a músicas, gibis, imagens e objetos da geração de Eco). Um dia, se tiver tempo, gostaria de comentar essas leituras detalhadamente, vamos a ver...
Daí se segue que nem tudo é ruim o tempo todo III, e eu também não contei que em Janeiro (ou em Fevereiro? De qualquer modo, parece que ja foi em outra vida), apesar desse meu alemão ruinzinho, fiz a prova de suficiência que me daria acesso à Universidade, e fui aprovada. Aí tem história, vou contar rapidinho: A prova é dividida em 4 partes: LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO (onde costumo me dar bem, nos simulados acertei sempre entre 80% e 100%), GRAMÁTICA (onde SEMPRE me dou mal; nunca sei se uma palavra termina em em, en, es, er, e não consigo encontrar a lógica numa gramática com artigos feminino, masculino e neutro distribuídos sem lógica aparente. Além disso, costumo trocar os verbos de lugar nas orações. Mas é burrice minha com certeza, já que todos os meus colegas conseguiram aprender. Nos simulados, acertei sempre só o suficiente para passar raspando, sem maiores comentários) e REDAÇÃO, onde costumo receber muitos elogios pela argumentação e estruturação, sem que, nem por isso, a professora deixe de descontar pontos já que eu cometo muitos erros...gramaticais. Pois bem, como de praxe, acertei exatamente o n° de questões suficientes para não ser reprovada na área de gramática, contraditoriamente não cometi os erros de concordância e finalização de palavras que me são comuns na redação e simplesmente, NÃO VI parte das questões de interpretação de texto mamão com açúcar que estavam no verso da prova. Das questões que respondi nesta parte, acertei 100%, o que foi minha salvação. Acho que se tivesse respondido a todas, poderia alcançar a nota 2=bom, mas depois desse vacilo, consegui só um 3=suficiente. Quem é aprovado nestas etapas, encara a prova ORAL, onde também consegui ser aprovada. Enfim, foi isso.
Agora sou uma universitária que assiste as aulas, sem entender muito bem o que está sendo falado, e bem...eu acho que endoideci (mais).
E como nem tudo é bom o tempo todo, isso quer dizer que devo dar uma sumida básica de novo: preciso aprender um BOM alemão de qualquer jeito, sob pena de desperdiçar os 750€ que paguei na Uni por este semestre. Para começar, redigir nesta língua barbara, e deixar um pouco de lado as leituras em português. Vou continuar visitando todo mundo na medida do possível, mas se eu sumir por um bom tempo, desta vez vocês já sabem o motivo. Então, auf Wiedersehen!
PS.: Prometo voltar e responder os comentários do último post...
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