10.01.2004

Lembranças

Sempre me julguei uma mulher inteligente. Sempre fui uma mulher sem direção. Sempre fui uma mulher sem senso prático de direção. Por mais de uma vez, eu fui caminhar em Ipanema na direção do Leblon, e quando menos esperava, estava chegando em Copacabana. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.
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Quando eu era criança, queria ser hippie. Não sabia muito bem o que eram aqueles caras cabeludos, mas intuia que tinha algo a ver com a liberdade. Já na adolescência, fiquei dividida entre o socialismo, que acabou me ganhando, e esse mesmo mundo hippie. Apesar das evidências contrárias, não fui da esquerda festiva, como diziámos na época (puxa, como estou velha!), mas uma militante até bem orotdoxa de tendência trotsquista. Fui expulsa do PT nem sei mais em que ano, aliás, eu e toda a CS. Esta semana, tive saudades desse tempo, tantas coisas me vieram à lembrança: Eu morava com uns amigos: A Cláudia Simone, A Andréia e o Marcos Aurélio. Me lembro dele, dizendo: “- Antes de abrir a porta, só pelo som, eu já sei quem está em casa: Se estiver tocando Mercedes Sosa é a Felicia, se for Maria Bethânia é a Cláudia, se for o Djavan, é a Andréia.” E ele gostava de Clube da Esquina e Pink Floyd. Nossa, gente, nesse tempo ainda nem existia cd…Pois é, há anos não escutava a Mercedes Sosa, que voz linda que essa mulher tem! Peguei meu LP mais querido, não resisto e vou escrever para voces o que ela canta, na canção que adotei como sendo minha:

FUEGO EN ANYMANA

Dicen que yo, de solo estar
Fui apagandome
Como la luz lenta y azul
De un atardecer.
Piensan que estoy secando el sol
De la soledad
Que por estar en mi raiz
Ya no crezco mas.
Es que yo soy, esa que soy,
La misma nomas,
Mujer que va buscandose
En la eternidad.
Si es por saber de donde soy,
Soy de anymana.
Sepan los que no han sabido
Que no estoy de solo estar,
Que estoy parada en el grito
Bagualero del pujay.
Si yo me voy, conmigo ira
Todo lo que soy.
Lejos de mi, lejos de aqui,
Yo no sere yo.
Dejenme estar, de solo estar,
Viendo el sol volver.
Yo quiero ver en mi pais
El amanecer.
Soy pa' durar, como el maiz,
Simple y cereal.
Soy pa' durar, porque yo se
Pasar y pisar.
Si es por saber de donde soy
Soy de anymana.

Até hoje não sei o que é ser de anymana, mas que eu sou essa que sou, a mesma e não mais, mulher que vai buscando-se na eternidade, ah, essa sou eu mesma.

No meu aniversário, pensei tanto na minha mãe e no meu pai. E chorei.
O que é um blog? Querido diário, estou deprimida.

9.29.2004

Entao

Hoje é meu aniversário. Nasci na primavera. Por aqui insistem em dizer que é outono. Ontem aconteceu a íncrivel história do dia em que a televisao precisou sair furtivamente de casa. Estamos sem acesso a internet até o proximo mês. Fomos castigados por excesso de downloads. O tricô vai bem e o livro segue cada vez melhor. Eu passei só para dizer que até outubro, nao venho.

9.26.2004

Receita de Tricô

Em homenagem ao Rafael Galvão, e a Grazi do Biscoito Doce, vou colocar no ar uma receita de tricô tipo “vem ni mim que eu sô facinha”. Dá prá ler e tricotar ao mesmo tempo, porque o ponto é sempre o mesmo, não exige grandes doses de concentração (o tricô, não o livro, he, he). Daí as tricoteiras mais experientes (hmmm) como essa que vos escreve (hmmm )podem tranquilamente manter as mãos no tricô e a cabeça no livro. É assim, ó:

PULL PINK EM CORDÕES DE TRICÔ – Tamanho 42/44

Material : 10 novelos qsuco (1326) –(mas estou usando a Pingouin Família mesclada n. 2033, que é linda de morrer. Tb já fiz uma cor de vinho, que ficou o máximo); agulha para tricô n° 4.
Pontos Empregados:
Ponto tricô: tricotar todas as carreiras em meia.
Amostra: um quadrado de 10cm em p. tricô nas ag. N° 4= 20p. x 38 carr.

MODO DE FAZER:
A blusa é trabalhada numa só peça começada pela manga. Montar 48p. nas ag. n°. 4 e tric. em p. tricô. Aum. de cada lado a cada 6 carr.: (ATENÇÃO, ACONSELHO VOCÊ A DEIXAR O LIVRO UM POUQUINHO, AQUI É PRECISO MAIS CONCENTRACÃO PARA NÃO PERDER AS CONTAS), repito, aum. de cada lado, a cada 6 carr.: 1p. (16v.), cada 8 carr.: 1p. (8v.) e 68 p. (PODE CONTINUAR O LIVRO, E TRICOTAR COM O PILOTO AUTOMÁTICO LIGADO). A 52 cm do começo, para a gola, dividir o trabalho ao meio. Ao mesmo tempo aum. no lado da divisão 20 p. e trabalhar cada lado separadamente. A 72 cm. do começo, rematar no centro do trabalho os 20 p. aum. Ao mesmo tempo, unir as duas partes e continuar em p. tricô. (VOLTE A SE CONCENTRAR NO TRICÔ, PRESTE ATENÇÃO NAS DIMINUIÇÕES). A 83 cm do começo, dim. de cada lado cada 8 carr.: 68 p. e 1 p. (8v.) e cada 8 carr:: 1 p. (16v.). A 135 cm do começo, rem.
Modo de armar:
Costurar as laterais da gola. Fechar os lados e as mangas. Prontinho.

O QUE ESTOU LENDO

Comecei hoje o "Terra Nostra" livro do Carlos Fuentes. Trouxe do Brasil em fevereiro, mas fui adiando a leitura, priorizando o alemão e deixando o pobrezinho de lado. Agora resolvi dar a atenção merecida para os meus livrinhos. E ainda dá prá fazer tricô ao mesmo tempo! Ler é ou não é a melhor coisa?





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9.24.2004

VIDA DE IMIGRANTE

Copiei o post abaixo da Maria, lá do simpaticíssimo Montanha Russa.
É um texto do antropólogo Roberto da Matta, publicado no Estadão de 15 de setembro de 2004. Trata da questão do imigrante e (algumas de) suas crises e reflexões:


QUANTAS VEZES MORREMOS NESTA VIDA?

Nascemos e morremos quando viajamos. O velho ditado francês que declara “partir (ou despedir-se) é morrer um pouco” não pode ser mais claro ou verdadeiro, pois todo viajante divide-se, reparte-se, multiplica-se e, quase sempre, dispersa-se, “diasporiza-se” em múltiplos pedaços. Pulveriza-se em memórias, saudades e vidas, cada qual sob o controle daqueles que deixou no seu porto de adeus.

Cada viagem sinaliza uma nova etapa, uma declaração de independência, um gesto de revolta, um rasgo corajoso de esperança, um dispendioso desabafo, um ato de rejeição, um tiro no escuro, um rito de passagem. Foi assim quando fui complementar minha educação universitária em Harvard, nos Estados Unidos; foi também assim quando saí de uma Niterói luminosa, marcada por animadas discussões intelectuais, cujo objetivo era “acabar com o subdesenvolvimento” e segui para o interior do Brasil para viver comos índios. E tem sido assim depois que retornei aos Estados Unidos como professor e fiquei numa gangorra cultural, morando entre dois países e experimentando, como membro de uma cultura, os valores de outra sociedade.

Para cada uma dessas partições há um preço. O viajante é um peregrino. Mas o viajante que estaciona e, desfazendo armas e bagagens, integra-se num lugar, torna-se um marginal. E aquele que se associa formalmente a uma instituição – uma companhia, firma ou universidade – vira expatriado. Reparte-se inevitavelmente, criando uma vida concreta onde chegou e uma outra no lugar de origem.

Uma coisa é viajar motivado pelo retorno, como acontece nos cruzeiros turísticos e nas viagens de estudo ou trabalho. Outra coisa é viajar para ficar, tornando-se residente num lugar onde não se nasceu e onde toda a realidade, da comida aos modos de falar, comprar, pedir, rezar e relacionar são diferentes, têm de ser aprendidos e chegam de fora para dentro.

O primeiro tipo de viagem inventa o turista engarrafado numa bolha. O segundo agencia o viajante que experimenta a morte e a divisão de sua vida de modo abrupto ou gradual. A prova cabal de que morreu ou virou fantasma é quando ouve seu nome falado em outra língua. Meu nome sempre foi Roberto, mas aqui nos Estados Unidos virou Hobero. No início tudo é mais ou menos diferente, depois a vida se rotiniza e o estranho transforma-se em aceitável e até mesmo em familiar. Quem diria que eu ia me deleitar com cachorros quentes e com “almoços de negócios ou conferências”, as tais brown bag talks, embora deva dizer que a tal de root beer é ainda remédio para mim.

Qualquer que seja o gosto da rotina, porém, o fato é que é impossível viver e trabalhar num lugar, criando simpatias e antipatias, descobrindo prazeres e sofrimentos, sem ter com esse espaço uma história de sentimentos e relações. Sem se sentir saudoso de alguns de seus nichos, comidas, pessoas.

Minha experiência americana me tornou um expatriado e, ao mesmo tempo, um fervoroso brasileiro. Tanto que voltei ao Brasil só para descobrir, neste breve retorno que agora faço a Notre Dame, quanto eu me liguei a este lugar e às suas coisas. Quanto eu fui tocado por suas árvores bem cuidadas, por suas alamedas emolduradas de grama, pelo cheiro de incenso de suas missas, pelo silêncio quase sepulcral de duas noites, pelas tempestades que chegam rápidas e violentas e vão embora com amesma velocidade, pelo gosto saboroso de seus vegetais, pela civilidade com a qual seus cidadãos dirigem seus carros, pela sincera cordialidade dos meus colegas.

Quando se fica entre dois mundos, morre-se muitas vezes. Tantas são as passagens de um lugar a outro. E, quando se descobre que o “entre” também tem o seu lado negativo, revelando as perdas, contabilizando as divisões, assinalando as repartições, indiciando pelos lutos mal feitos e por muita saudades. Saudade de um lado e saudade do outro; e uma saudade nova, excepcional e inusitada do interstício, da passagem, do meio-termo.

As do Brasil são de gente e de comidas. Cheguei faz uma semana e já sinto falta de um prato de carne-seca frita com cebola, isso para não falar da imensa saudade dos meus netinhos e de tudo que vem com eles. As dos Estados Unidos são da vida que aqui deixei. Pois cada paisagem desta universidade também guarda uma parte de minha vida. Moldura terna e amorosa de um passado que não se deixa enterrar. As do miolo são as de uma liberdade um tanto onipotente, aquela que acena com a promessa de ter o melhor dos dois.

São esses sentimentos contraditórios de vida e morte,de liberdade extremada e de perda que eu tenho experimentado nesta visita. É quando vejo que o pertencer é sempre relativo. Que a terra natal – a pátria ou a mátria, comodizia o padre Antônio Vieira – exige uma constante celebração de ritos patrióticos em que reafirmamos o nosso gosto de a ela pertencer, porque – quem sabe? – somos também seres de um mundo sem fronteiras. É pelo menos isso que ocorre quando morremos e deixamos de pertencer a nós mesmos.
Escrito pelo antropólogo Roberto da Matta (publicado no Estadão, dia 15 de setembro de 2004 - gentileza da Leila e do Ricardo)
Escrito por Maria às 03:12 PM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (4)

Minhas plantas

Sempre tive o hábito de dar nomes às minhas plantas. Me lembro ainda com saudades da Maria Bethânia, uma samambaia linda que tive. Tive também outra samambaia, com o nome de Thomás em homenagem a um amigo e o cabelo que ele usava na época. (Aliás, encontrei o Thomas numa festa em Santa Teresa, e ele está meio calvo agora. Mas continua bonito.) E além de Bethânia e Thomás, tive a Nana, que eu não sei que espécie de planta era. E muitos outros. Minhas plantas ficaram com minha mae quando me mudei para o Rio. Que bom para elas - ambas, porque minha mae tambem adora plantas.

Me lembro especialmente de um cactus, chamado Astor Piazzolla. Sempre adorei cactus, - já comecei minha coleçãozinha aqui, mas enquanto estive no Brasil, três deles morreram, uma pena - e tinha um carinho especial pelo Astor. Uma vez, quando eu ainda morava em Volta Redonda, fui acampar em Visconde de Mauá. Notei que meu cactus estava assim meio tristinho, na verdade, murchando, talvez por excesso de água. Quando voltei de Mauá, minha mãe comentou comigo sobre a morte do Astor, o Piazzolla humano. Fiquei desolada, porque adorava os tangos dele. Na mesma semana, Astor, meu cactus, tambem morreu.

É da vida.

Eu, se pudesse escolher, seria vizinha do José Saramago. Mas Deus não me deu essa graça , e assim sendo, vim morar em Graz, onde sou, digamos assim, “vizinha” do Arnold Schwarzenegger, já que ele nasceu e morou durante anos aqui pertinho.
Não sei se vocês sabiam, mas ele é um exemplo de sucesso para o povo daqui. Me lembro da Gabi, professora do curso de alemão. Cada um de nós precisava citar alguém a quem admiramos e o porque dessa admiração. A professora disse:”Um exemplo para mim é o Schwarzenegger; ele que não se contentou em ser pequeno, mas se preparou (?) até conseguir ser governador da Califórnia…” Ui, eu hein, tem gosto pra tudo.

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Hoje é aniversário da festeira, festiva e minha querida prima, a DIDA. Parabéns pra ela, que ela merece!!!
Ontem, pelas bandas de cá, à essa hora, tínhamos cerca de 21°C. Hoje, a temperatura ainda não passou dos 11°C. O dia amanheceu com aquelas nuvens cor de chumbo que me deixam triste, só por pensar que o sol não deve aparecer pelos próximos meses.
Ontem também, amanheci com espírito de Amélia e fui limpar as janelas, que aliás, já estavam para lá de precisadas. Bem que o bonitão avisou que lá vinha chuva. Adeus, cucuia pro meu trabalho, que a chuva veio e manchou tudo de novo. Ah, e tem mais: pra reforçar minha porção Amélia, também resolvi estrear a máquina de costura, e fui fazer bainha numa cortina, que estava há anos encostada lá no armário. A intenção era justamente bloquear um pouco o sol que batia diretamente no rosto de quem se senta frente ao outro computador…Sol, mas que sol??

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Hoje abri minha caixa de mails e tinha uma mensagem, que minha irmazinha mandou. Resolvi copiar (daqui ó): Viva cada Dia

E eu amo minha irmazinha.

9.21.2004

EU PRECISO DIZER QUE TE AMO!

MAMÃEZINHA, EU TE AMO TANTO, TANTO, TANTO, LÁ DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO!!!!

9.20.2004

Ê mundão bonito!!!



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9.16.2004

Morar no exterior

Morar na Áustria. Viver na Áustria. Estar num outro país. Ser imigrante. Ser estrangeiro. Perder a identidade. Buscar a identidade. Perder raízes. Criar raízes. Se adaptar ? Ou se integrar? Ou se mudar? Como se virar?

9.15.2004

Saco!

Puxa vida, que trágico é esse sentimento que de mim se apossou. Gente, tô me sentindo uma eme.Tá certo, vou me arrepender por ter escrito isso aqui, mas que droga, aliás, é MAIS que uma droga, é uma eme, eu já nao disse? Parece tpm elevada a doses maxima. Entao, resultado: preciso desabafar com meus tres fiéis leitores. Agora ja disse. Pronto. Entao, tá. O que eu escrevi se apagou enquanto fui no outro PC, o outro PC me informou que a sessao expirou, e eu tô achando que é melhor eu ficar quietinha embaixo das cobertas hoje, pois QUE DROGA. Dia feiao, computador feiao sem til e cedilha, donadoblog feiona, vida feiona. Tudo é feiao, e essa que vos escreve acima de tudo.
Ta bom, estou um nojo. Entao vou te contar o que li: terminei ontem a "Saga do Marrano", de Marcos Aguinis. Persegui esse livro um tempao, até encontrá-lo pertinho, em Volta Redonda (ou longinho, dependendo do ponto de vista, ás vezes esqueco que estou do outro lado do oceano. Marrano é um termo especialmente depreciativo, usado contra os judeus perseguidos pela inquisicao. O livro fala sobre a trajetoria de um deles, Francisco Maldonado, sua vida e de sua familia, a perseguicao á sua crenca, as humilhacoes, o processo do Santo Ofício, sua condenacao e o modo como Francisco defendeu sua fé. Se gostei do livro? Confesso que minha expectativa era maior, a crítica fez um comentario maravilhoso na época de seu lancamento no Brasil, e eu o imaginei "diferente", o que nao quer dizer ruim. Entao, a quem quiser saber um pouco mais sobre a historia judaica, eu recomento. Comecei hoje a ler "As Mil e um Noites". É um clássico da literatura, e todo mundo ja deve ter ouvido algum comentario. Estou me deliciando. E de livro pro tchau: Pronto, que bom foi escrever um pouquinho, passou a sensacao sacal e deu uma forca pro Calmapax + Passiflora que eu havia tomado. Entao, tchau!
......................................................................
Ta, vou dar um tchau definitivo, mas antes deixa eu comentar: estou assistindo Real Madrid 0 x 1 Leverkusen. Caraca, gente, Real esta decepcionante. Um time tao repleto de estrelas como Figo, Zidane, Ronaldinho, Beeckham (é assim que se escreve?) e Roberto Carlos, só para citar os mais conhecidos, chutou só umas duas vezes a gol. Tá, o Leverkurkusen nao é assim la uma merdinha, mas em linguagem para neófitos, eu diria que é quase um Beatles x Menudos, sabe como? Ih, mandei mal, digamos assim algo como um Beatles x Paralamas, voces estao me entendendo? Ah, ta bom; sei que voces me entenderam, está no intervalo, deixa eu voltar pro meu tricô e me ajeitar no sofá. Definitivamente por hoje, tchau.

9.13.2004

De volta

Me pergunto como é que tem gente que consegue postar, trabalhar, estudar e ainda fazer tricô (a Grazi do BiscoitoDoce
faz). Tem gente que vive na frente desse tal de computador e ainda arruma tempo para outras coisas. Tenho que dizer que isso me deslumbra...
Entao, voltei. Estou em Graz. Consegui a prorrogacao da licenca por mais um ano. Fiquei no Brasil por mais de dois meses. Meu pai faleceu no dia cinco de agosto. Minha sobrinha Ana Carolina completou um aninho. Meu sobrinho Jean Emanuel completou cinco meses. Ainda nao faz uma semana que voltei a Graz. Tenho vontade de voltar para Volta Redonda. Amanha tenho um Probetag na Libro. Hoje fiz inscricao na Uni para um novo semestre. Dessa vez, esta sendo dificil superar a sensacao de tristeza, de saudade da mae, das criancas, da Nanda, da familia toda.
Nao sei como vai ser manter o blog, mas quero dizer que tambem estou fazendo trico. E tenho dito.

7.26.2004

Ola

Fériass...passei para dizer que ainda existo. Pelo menos, eu acredito nisso.

7.06.2004

Pausa

Sumi. Pois é, estou em Volta Redonda, e ando sem tempo, por vários motivos, que, assim que tiver tempo(!), explico. Acredito que esse blog vá ficar ainda mais um pouco abandonado.Também, ninguém vem aqui mesmo!!!Beijos.

6.26.2004

Boa Noite!

Voces estão assisntindo Swedwen x Nieederland? Fala sério, gente, que futebol é esse em que o técnico vai para a beira do campo com caderninho cheio de setinha pra cá, setinha pra lá? Eu, hein, no meu tempo, futebol era outra coisa. Vou é pra cama. Boa noite!

Engoli barriga

Disse que ia colar um post aqui, que roubei da Maria no Montanha-Russa e acabei nao colando nada. Agora vai.O tema é Imígracao, e trata de algumas crises pelas quais os imigrantes passam. Le aí, ó:


Crises e reflexões

No livro "Att bryta upp och byta land", de Elsie Franzén, psicóloga e psicoterapeuta além de docente em pedagogia, há uma série de coisas interessantérrimas, sobre as quais eu poderia escrever uns quinhentos posts. Não faço isso porque tenho a impressão que estaria abusando do interesse de vocês... :c) Então aqui vai apenas alguns destaques. Dentre as coisas que a autora descreve, uma delas me chamou mais atenção: o processo de crise passado pelos imigrantes.

Elsie Franzén faz um paralelo entre o processo de crise que qualquer pessoa pode sentir mesmo sem nunca sair da sua cidade de nascimento e a crise vivida por quem deixa seu país e vira imigrante numa terra desconhecida. Diz lá no livro: “Uma pessoa pode estar num estado de crise psíquica quando ela se encontra numa situação de vida em que suas experiências e modos de reação antigos não são suficientes para que ela possa entender e dominar psicologicamente de forma satisfatória sua nova situação”.

Ou seja, você não sabe como reagir ou traduzir ações e reações de pessoas, lugares, costumes estrangeiros. Você entra numa espécie de vácuo cultural e emocional. É claro que esse processo tem uma série de variáveis e depende, por exemplo, do momento e até do background da pessoa em questão, além do lugar onde ela se encontra, se é muito diferente do país de origem etc. Mesmo assim, Elsie Franzén afirma que não importa se você é um refugiado ou um imigrante que veio pro país novo de livre e espontânea vontade (como eu). Há sempre um choque, uma mudança.

Eu senti isso muito nitidamente. No início era tudo um barato, apesar das saudades da minha família. Com o passar do tempo, no entanto, a novidade foi arrefecendo e eu comecei a ver a realidade. Foi um choque verdadeiro. Achei muitas vezes que não seria forte o suficiente para enfrentar o fato de, por exemplo, ter tanto problema pra arranjar um simples emprego. A imagem que alguns suecos fazem de mim é a de uma imigrante, com tudo o que isso representa (gente estranha, que fala mal sueco, que não é exatamente honesta nem gosta de trabalhar e vive do dinheiro do social).

Isso bate de frente com a imagem que eu sempre tive de mim mesma: uma moça trabalhadora, até certo ponto inteligente, esforcada e honesta. Esse impasse, que ainda existe, é difícil de se resolver. A crise de identidade está criada. Não percebi quando deixei de ser um recurso e passei a ser um problema. O lance é que os imigrantes na Suécia hoje são vistos como um grupo homogêneo, não importando se são turcos, iugoslavos, iranianos, chilenos ou brasileiros. Ninguém é visto como um indivíduo, mas como uma massa de gente diferente – e, muitas vezes, indesejável.

Alguns momentos do livro:

“O migrante não volta nunca mais, mesmo quando ele retorna ao seu país. A viagem [de imigração, de ida] irá modificá-lo pra sempre”. (Elsie Franzén, página 54)

“Largar tudo e mudar de país em idade adulta é para a grande maioria das pessoas um acontecimento central na vida”. (E.F., p. 54)

“Independente da causa da vinda para o país novo, os primeiros tempos são descritos como uma experiência positiva e excitante. (...) quase como uma lua de mel.” (E.F., p. 57)

“[Mais tarde], as pequenas dificuldades do dia-a-dia finalmente aparecem. (...) E é esse mal-estar que aos poucos vai se instalando na surdina que pode iniciar uma crise.” (E.F., p. 58)

“Costuma-se dizer que a crise tem como motivo uma perda traumática. No caso dos imigrantes, não é apenas uma perda, mas muitas perdas.” (E.F., p. 58)

“Possuímos psicologicamente os lugares onde nos sentimos em casa – uma cidade, uma floresta, uma praia. Essas propriedades emocionais não podem ser vendidas ou trocadas por outras.” (E.F., p. 59)

“O idioma é perdido. (...) Aqueles que querem participar da sociedade sueca precisam aprender a falar sueco.” (E.F., p. 60)

“Por fim, a pessoa perde com a imigração uma parte do que ela entendia como sua identidade”. (E.F., p. 61)

Completando o post, queria dizer que o livro dá uma visão otimista dessa crise passada pelos imigrantes. Elsie Franzén explica que construímos nossas identidades com a ajuda da interação que estabelecemos com outras pessoas, entidades, grupos. Quando isso desaparece, parte da nossa identidade some. Ao mesmo tempo em que a falta dessa definição nos deixa alquebrados, ela nos permite um processo de renovação. E é nesse sentido que Franzén também analisa a palavra “crise”.

Ela diz lá no livro que a palavra “crise” vem do grego “krisis” (não sei se em grego é com “k” ou com “c” – no livro, em sueco, está com “k”. Então, aos puristas gregos, minhas desculpas antecipadas) e que quer dizer “decisivo”. É por isso que dizemos que “alcançamos o momento crítico do jogo”. A partir dali, as coisas mudam. Cabe a nós trabalhar pra que a mudança ocorra ao nosso favor, né não?
Escrito por Maria às 12:12 PM

6.25.2004

Aehhhh!

A Grécia venceu a Franca!!!!!1 x 0. Nao vi o jogo, fui num concerto com os alunos do bonitao, cheguei faltando 15 minutos pro fim da partida. Mas nao quero nem saber, quero é zoar esses franceses marmotas!Ah!Ah!Ah!

Verao e outros comentarios

Agora temos 14°C. Sem maiores comentários...........................................................E de verão para coleção:
Por acaso voces tem mania de colecionar coisinhas? Pois é, eu na verdade não. Quer dizer, eu sempre "esqueço" e acabo ficando com a caneta que me emprestam, mas isso é mesmo roubo mal disfarçado. Estou querendo começar uma colecão de açucar. É, açucar mesmo, daquelas embalagenzinhas que a gente recebe nos cafés. Tenho ja de uns cinco ou seis países diferentes, pena que acabo usando aqui em casa e por isso a coleção não vai pra frente (parece piada de português isso!). E voce, coleciona alguma coisa? E de coleção para futebol: perdi o jogão de ontem, Portugal x Inglaterra. Hoje só se falou nisso no Deutschkurs (aliás, mentira, hoje foi dia de prova, na qual diga-se de passagem mandei muito bem e o papo sobre futebol foi curtinho). Mas tive um bom motivo para não ver o o jogo. Fui jantar com o bonitão. Não, não fomos no Johannes, minha pão-durice prevaleceu. Fomos ao Häuserl in Wald - significa Casinha na Floresta - , um restaurante muito bacana também. Eu me lembrei da última vez que estivemos lá e pedimos um prato pra dois, que satisfaria a três. Pois é, repetimos a dose, e pela primeira vez, venci o bonitão: consegui comer mais que ele.

6.24.2004

Ainda

fazendo experiencias por aqui...Abaixo, algumas fotos de lugares que julguei bonitos. Pena que ainda nao sei muito bem como funciona isso aqui, faltaram as fotos de Bratislava, que nao consigo encontrar e as da Croacia tambem.

Sopron Posted by Hello
 
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