10.11.2004
Fernando Sabino
Que pesar, que dor que me deu no coração. Acabo de ler sobre a morte do Fernando Sabino, que já me deu tantas alegrias e prazer ao lê-lo. Fernando tinha um dom muito especial, que era o de me fazer sentir íntima de sua escrita; me fazia sonhar, e eu sonhava que era parte do grupo dos quatro Cavaleiros, me fazia acreditar que, em suas cartas estava falando também sobre a minha vida, e esses foi só um dos motivos porque gostei dele. Fernando, querido, estou puxando uma angústia danada por sua causa. Que bom que sua prosa continua. Mas que falta que você me faz.
10.10.2004
Outono, banalidades e afins
Escrevi nm dia desses que o dia amanheceu com nuvens cor de chumbo, sinal inequívoco de que iríamos ficar muito tempo sem ver o sol. Que mentiras deslavadas eu ando escrevendo por aqui! Tivemos até ontem uma espécie de veranico aqui na Áustria. O nome disso por essas plagas é “Altweibersommer”, que os mais gaiatos traduzem como “verão para mulheres velhas”, - mas eu, com essa elegância que me caracteriza, jamais escreveria uma coisa dessas no meu blog. E se alguém disser que leu isso aqui, não acreditem. - Pois é, mas voltando onde estávamos, hoje a chuva veio farta. Primeiro bem cedo pela manhã. E então uma tarde abafada que me fez ter saudades do Rio de Janeiro. À tardinha chuva de novo. E frio. Agora, acho que é pra valer: o outono finalmente chegou.O que isso significa? Dias tristes, um céu pintado de cinza, pesado, denso, triste. Dessa vez, sem mentiras.
Da secão banalidades:
-Eu nunca vi uma barata aqui na Áustria. Sério mesmo. Nem cadáver de barata eu nunca vi, daqueles que ficam só a casquinha seca. Eu fico encasquetada com isso, porque sempre li que esses animais, ops, insetos, sao os seres mais resistentes do planeta, tem extrema capacidade de adaptação, resistem até à radiacão provocada pela bomba atômica, etc, etc. Seria tudo isso um blá-blá.blá? Como explicar que as baratas tenham desaparecido da Áustria? Estou desenvolvendo a teoria da conspiração baratal, mas por falta de argumentos sólidos, vou dormir antes de pensar mais seriamente no assunto. Antes disso, preciso dizer pra Nandinha, minha irmazinha com pavor de baratas: vem me visitar, irmazinha. Fora n%zist&s e outros bichos, o país é inofensivo.
Da secão banalidades:
-Eu nunca vi uma barata aqui na Áustria. Sério mesmo. Nem cadáver de barata eu nunca vi, daqueles que ficam só a casquinha seca. Eu fico encasquetada com isso, porque sempre li que esses animais, ops, insetos, sao os seres mais resistentes do planeta, tem extrema capacidade de adaptação, resistem até à radiacão provocada pela bomba atômica, etc, etc. Seria tudo isso um blá-blá.blá? Como explicar que as baratas tenham desaparecido da Áustria? Estou desenvolvendo a teoria da conspiração baratal, mas por falta de argumentos sólidos, vou dormir antes de pensar mais seriamente no assunto. Antes disso, preciso dizer pra Nandinha, minha irmazinha com pavor de baratas: vem me visitar, irmazinha. Fora n%zist&s e outros bichos, o país é inofensivo.
10.07.2004
A vida como ela é
Já contei pra voce que em inglês, eu não sei falar nem I love you? É eu não sabia. Mas meus problemas acabaram e nao tem nada a ver com a Organização Tabajaras: resolvi frequentar o curso de inglês. A 1. aula foi essa semana, e qual não foi minha satisfação e surpresa ao perceber que estava entendendo tudo, absolutamente tudo o que a professora dizia…quando ela falava em alemão. Bem, como já dizia mamãe, não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe. A noitinha fui pra aula de latim (é, eu TENHO que estudar latim, que é pressuposto para filosofia, e se alguém rir, eu taco pedra!). Lá vou eu para minha 1. incursão na universidade e, para minha satisfação e surpresa, percebi que estava entendendo tudo, absolutamente tudo o que a professora dizia…quando ela deixava o alemão e falava em latim. É meus amigos, é da vida.
E mais não digo.
E mais não digo.
10.03.2004
Versinhos
Hoje amanheci criando versinhos sublimes como esses:
Depressão rima com menstruação
Uma não se vai, outra também não
Se eu me chamasse Raimundo,
Seria uma rima, não uma solução.
Menstruação rima com depressão
Uma vem, outra vem também
Isso acontece todo mês
Em nome do Pai, Esp`rito Santo
Amem.
.x.x.x.x.x.x.x..x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
Aí, uma coisa puxa a outra foi só eu pensar no Drummond e me deu uma vontade desesperada de ler o “Rosário de Minas – Memórias e Sugestões”, de Octavio Mello Alvarenga. Meu Deus, meu Deus, eu pre-ci-so ler este livro. Vou apelar e copiar descaradamente a tática do Alexandre:: Ninguem quer me dar o livro de presente???Bom, perguntar não ofende, né gente?? Na lista de desejos urgentes tambem estão: "Como e por que ler os Clássicos", da Ana Maria Machado, e "Como e por que Ler o Romance Brsileiro, da Marisa Lajolo. Fica aí o pedido de uma pobre mulher carente de leitura.E é capaz até da depressão ir embora...
Depressão rima com menstruação
Uma não se vai, outra também não
Se eu me chamasse Raimundo,
Seria uma rima, não uma solução.
Menstruação rima com depressão
Uma vem, outra vem também
Isso acontece todo mês
Em nome do Pai, Esp`rito Santo
Amem.
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Aí, uma coisa puxa a outra foi só eu pensar no Drummond e me deu uma vontade desesperada de ler o “Rosário de Minas – Memórias e Sugestões”, de Octavio Mello Alvarenga. Meu Deus, meu Deus, eu pre-ci-so ler este livro. Vou apelar e copiar descaradamente a tática do Alexandre:: Ninguem quer me dar o livro de presente???Bom, perguntar não ofende, né gente?? Na lista de desejos urgentes tambem estão: "Como e por que ler os Clássicos", da Ana Maria Machado, e "Como e por que Ler o Romance Brsileiro, da Marisa Lajolo. Fica aí o pedido de uma pobre mulher carente de leitura.E é capaz até da depressão ir embora...
10.02.2004
Tornando o Mundo Mais Bonito
O iogurte de que eu gosto é fabricado pela NÖM (www.noem.at). A embalagem é uma graça, vem com umas fadas, assim sabe? Se você não sabe, imagine. Tem sabores Amarena-Amêndoa, Cappuccino, Baccio, Tiramusi, Maçã-Canela, hmmm, muito bom. Mas o mais legal, é que a embalagem é um copinho de plástico envolto num papel onde está escrito: “Wir von NÖM bitten Sie: Schonen Sie die Umwelt. Entsorgen Sie Becher und papier getrennt.”
Quer dizer mais ou menos assim:”Nós da NÖM pedimos ao senhor: Cuide do meio-ambiente. Descarte o papel e o copinho separadamente.” O povo daqui já pratica quase que automaticamente a reciclagem, cada esquina, rua ou conjunto de prédios tem coletores de lixo específicos. Mas a iniciativa da NÖM é bacana de qualquer modo. Pelo menos neste sentido, a Europa está realmente no 1. Mundo.
Ontem, ao comprar o iogurte, me lembrei dessa reportagem já antiga, mas com tema atual, que o Marcos Correa de Sá publicou em 29/02/2004 lá no No Minimo:
Madeira plástica tem que ser de lei
29.02.2004 | Calma. O planeta ainda não chegou ao ponto de lhe pedir para mobiliar a casa com madeira plástica. Mas está ficando difícil explicar por que ainda é preciso derrubar árvores para fazer banco de jardim, mesa de varanda, mourão de cerca, caibro de telhado, estaca de píer ou deque de piscina. Tudo isso já se pode ter sem ligar a motosserra, com ripas que vêm do lixo, em vez de serem arrancadas das florestas.
E às vezes o que é feito com ela sai até melhor do que se fazia antes, como acontece com os dormentes. Nesse caso, posta sob as linhas ferroviárias, onde as toras clássica de eucalipto, encharcadas de creosoto, porejam ao longo de sua vida útil um veneno capaz de contaminar o solo, a madeira plástica brilha como trilhos, indicando o caminho por onde certamente correrão as estradas de ferro do futuro.
É que, ao contrário da madeira natural, a plástica vem de fábrica imunizada contra fungos, cupins e outras pragas. Dura, deixada ao tempo, pelo menos 50 anos, sem aditivos tóxicos. Resiste a cargas de até 80 toneladas, que reduziriam dormentes convencionais a maços de farpas. E amortece as vibrações que esmerilham os rolamentos dos trens, coisa que um bloco de concreto não consegue.
Mas o melhor é que a madeira plástica é feita de frascos, garrafas, copos descartáveis, embalagens e outros fantasmas de poliolefina que poluem a xepa urbana. Sobretudo no Brasil, onde 76% dos resíduos são jogados a céu aberto e a nata de PET que bóia na Baía de Guanabara tem sido o indício mais persuasivo de que o programa de despoluição botou fora onze anos e US$ 800 milhões de dólares.
Ver a madeira plástica brotar como pasta de bisnaga – com forma, textura e até cor da madeira verdade – do caldo de entulho petroquímico digerido pela máquina parece mágica até para quem aposta pesado nesse novo trunfo da reciclagem. “Sempre que ela sai do molde eu me impressiono como da primeira vez”, diz Geraldo Pilz, que fabrica por semana três toneladas de madeira alternativa na Baixada Fluminense.
Ele é dono da Cogumelo, uma fábrica de perfis em fibra de vidro plantada em Campo Grande, a antiga Zona Rural do Rio de Janeiro. Pilz tem 65 anos. Sua fábrica, 31. Mas ambos ainda vivem correndo atrás de atrás de novidades. Ele é aquele tipo de empresário que conversa com a mão no ombro do funcionário, “para ele relaxar”. Formou-se em economia, mas vai logo avisando que não tem nem quis ter M.B.A., o diploma americano de mestrado em administração que se traduz em português por altos salários em administração de empresas. “Eu só tenho T.B.C.”, declara.
T.B.C. quer dizer: “Tire a Bunda da Cadeira”. É o mesmo diploma que ele cobrou do filho, para quem vai agora passando aos poucos as rédeas da empresa. Daniel Pilz nasceu no mesmo ano da Cogumelo, fez em desenho industrial. Foi campeão sul-americano de wind-surf e andou metido com pára-quedismo e vôo-livre. Estava quase se profissionalizando em esportes radicais quando o pai o chamou da Austrália para cursar o T.B.C. em Campo Grande.
Chamar a Cogumelo de empresa familiar é eufemismo. Além de Daniel, Áurea, a mulher de Geraldo, trabalha na administração da fábrica. Os três têm o hábito de chegar cedo e sair, comer de bandejão e encaixar visitas a clientes em viagens de recreio. O filho, nos fins de semana, veste a camiseta da firma e carrega sempre em cima do carro, um Land Rover, as escadas de alumínio e fibra de vidro que foram o penúltimo lançamento da fábrica, antes da madeira plástica.
É um modo de mostrar ao mundo que ela existe. Essas escadas desembarcaram no Brasil há poucos anos. Ao resolver produzi-las aqui, com licença da Werner Ladders americana, Pilz foi visitar pessoalmente velhos fabricantes de escadas de madeira no mercado nacional, para lhes falar das excelências do similar em liga leve. Queria, na época, oferecer-lhes a matéria-prima. “Mas eles me puseram para correr e não tive outro jeito senão fabricar eu mesmo as escadas”, conta Pilz. Dispensado como fornecedor, tornou-se concorrente da indústria tradicional e acabou por lhes tomar grandes clientes, como companhias de eletricidade, telefônicas e até bombeiros.
Aliás, “a vantagem de circular com essas escadas na capota é que as pessoas pensam que meu carro é da Telerj”, explica Daniel. Em teoria, assaltantes não se interessam por carros da Telerj. Na prática, a família inteira se comporta como propaganda ambulante da Cogumelo, que originalmente se especializava em produtos mais ou menos obscuros, como cabos, tubos, grades e outros produtos de uso industrial.
Oficialmente, ela se apresenta como uma fábrica de “pultrudados”. Mas não adianta procurar no dicionário. A palavra não existe. É um neologismo estritamente técnico, trazido diretamente do inglês para batizar o processo contínuo de modelagem da fibra de vidro em formas quentes. Trata-se, em resumo, de uma variante patenteada da extrusão. Nos primeiros tempos, dava um trabalho danado explicar aos leigos o que vinha a ser aquele “pultrudado” impresso no logotipo da firma, cada vez que Daniel parava o Land Rover em estacionamentos públicos.
Com tais antecedentes, vender madeira plástica num país que ainda não começou a comprá-la é o de menos para os Pilz. Não é a primeira vez que eles promovem soluções para problemas que não parecem incomodar os brasileiros. A própria Cogumelo só está aí porque, trinta e tantos anos atrás, Geraldo Pilz se rebelou contra o conteúdo das caixas de componentes importados que costumava abrir na Caterpillar da Bahia. Era então gerente de peças. E não entendia por que o Brasil deveria que trazer do exterior bugigangas que qualquer país é capaz de fazer, como “tijolo de ferro com um furo no meio” ou lâmpada G&E para trator Caterpillar.
De tanto dicsutir, mudou-se para a Sotreq, no Rio de Janeiro. Onde continuou recebendo os mesmos contêineres com as mesmas encomendas. “Não era isso que eu queria fazer na vida”, ele alega. Demitiu-se, pegou o fundo de garantia e, “com a cara, a coragem e a mulher grávida”, fundou em 1972 a Indústria de Componentes de Tratores Ltda. Era um oficina de fundo de quintal. Fazia tetos em fibra de vidro para trator porque, naquele tempo, “tratorista tinha que trabalhar num banco aberto, cozinhando ao sol”.
O produto emplacou. Emplacou tanto que, na virada dos anos 80, todos tratores nacionais passaram a sair da linha de montagem com tetos iguais ao seu, mas feitos pelas grandes marcas. A fabriqueta de Pilz foi à lona. Chegara a fazer 80 cabines por dia. Estava reduzida a meia dúzia. E, para piorar as coisas, o proprietário tinha brigado com os antigos clientes, processando-os por abuso de poder econômico. Foi quando caiu nas mãos de Pilz uma revista técnica, contando que nos Estados Unidos já se faziam perfis em fibra de vidro pela tal da pultrusão.
“Fui na mesma hora para lá, bater na porta de quatro empresas, com meu inglês de índio”, ele lembra. “Numa delas, a da Pensilvânia, o sujeito que me recebeu estava usando botas. Eu me senti no lugar certo. Fomos almoçar. Pedi-lhe para comprar a tecnologia, mas não as máquinas, porque isso o Brasil podia fazer para mim. Ele topou e quis saber quando eu mandaria para meu engenheiro para o treinamento. Respondi que o engenheiro tinha que ser eu mesmo”.
Pagou o know-how em oito parcelas. Ao fechar o contrato não tinha dinheiro para a primeira prestação. Mas, no Rio, os funcionários se reuniram com Áurea e lhe ofereceram um crédito no valor do décimo-terceiro salário que tinham a receber. Dos 30 empregados que entraram nessa coleta, 15 trabalham até hoje na casa. Os outros só saíram aposentados.
Com o fiasco das cabines de tratores, ele tinha aprendido “que no Brasil a gente tem que diversificar, para resistir. Senão, quando vem uma crise, e aqui sempre vem uma crise, o empresário demite os funcionários que não tinham nada a ver com isso. Quem tem obrigação de prever a crise é o patrão”. Hoje, a Cogumelo funciona com 150 funcionários.
Pilz chegou à madeira plástica de tanto procurar opções conta os achaques do mercado. “Na ocasião, nem me passou pela cabeça que ela também tinha vantagens ambientais. Depois é que a ecologia me entrou no sangue. Mas estava mesmo era querendo um jeito de depender menos das multinacionais que me fornecem a matéria-prima. Fibra de vidro custa muito caro para o Brasil. Eu geralmente acompanho seu preço, comparando-o com a cotação do quilo de filé-mignon”.
O remédio estava na reciclagem de lixo. Pilz pôs o olho nas fábricas americanas que, nos anos 90, tiraram proveito da legislação ambientalista. Depois que as construtoras tiraram as mãos das últimas reservas públicas de cedro e sequóia, até madeireiras tradicionais, como a Georgia-Pacific e a Weyerhaeuser, deram para oferecer aos consumidores deques pré-fabricados em madeira plástica.
Pilz comprou a tecnologia de Scott Hauser, ex-sócio minoritário da U.S. Plastic Plumber, pioneira do ramo. E fez o serviço completo. Trouxe-o ao Brasil para ver como funciona a coleta de lixo no aterro sanitário de Gramacho, com crianças disputando espaço com urubus. “Sou da opinião que eles têm que conhecer nossos problemas”, diz ele. Também lhe ofereceu, neste verão, um mês de férias no Rio de Janeiro por conta da empresa, aproveitando sua presença aqui para dar os últimos retoques em sua máquina.
A Cogumelo sozinha. Sua madeira plástica não tem concorrência, exceto a que é feita, por processos meio artesanais, numa fazenda devotada à recuperação de drogados no interior de São Paulo. O problema é que o país mal sabe que ela existe. A começar pelos marceneiros. Ela pode ser furada, serrada, aparafusada e pregada como a madeira comum. Dispensa verniz. Vem tingida de fábrica, para sempre. Custa mais ou menos o mesmo que o metro quadrado de pinho. Sai da fábrica em vários calibres. E seu comprimento, como não tem relação com altura de árvore, só tem um limite: a capacidade que tem o cliente de transportá-la.
Então está tudo resolvido? “Não”, responde Pilz. Porque falta, como sempre, a parte do governo. “E não estou pedindo favor nenhum”, ele ressalva. Só quer que a lei descubra a madeira plástica. Nos Estados Unidos, ela pego graças aos dispositivos que inibem o desmatamento ou proíbem caminhões que transportam alimentos de usar prateleiras de compensado natural, sujeitas a rachadores que viram ninhos de fungos. Por por essas e outras, 25 fábricas americanas já fazem madeira plástica, produto que mal passou do décimo aniversário.
Aqui, a Cogumelo tem que montar bancos e mesas de jardim, para mostrar que a reciclagem funciona. Basta-lhe uma única máquina para suprir toda a demanda. Mas a Companhia Vale do Rio Doce encomendou, experimentalmente, os primeiros dois mil dormentes de madeira plástica. Dois mil dormentes dão um quilômetro de linha férrea. E consomem 160 toneladas de lixo plástico.
Quer saber o que isso significa? Multiplique a equação da CVRD pelos trilhos da rede ferroviária nacional. Ou por qualquer outra equação que troque por ela a madeira vegetal desperdiçada em portos, construção civil ou cercados. O resultado, conclui Geraldo Pilz, “é que a esta hora eu estaria cercado de concorrentes e pagando anúncios na televisão, pedindo para comprar a domicílio todo o lixo plástico que os cariocas quisessem me vender. Dava para buscá-lo de casa em casa. E ele sumiria de nossas cidades, como sumiu a lata de alumínio, desde que o Brasil resolveu reciclá-la”.
Quer dizer mais ou menos assim:”Nós da NÖM pedimos ao senhor: Cuide do meio-ambiente. Descarte o papel e o copinho separadamente.” O povo daqui já pratica quase que automaticamente a reciclagem, cada esquina, rua ou conjunto de prédios tem coletores de lixo específicos. Mas a iniciativa da NÖM é bacana de qualquer modo. Pelo menos neste sentido, a Europa está realmente no 1. Mundo.
Ontem, ao comprar o iogurte, me lembrei dessa reportagem já antiga, mas com tema atual, que o Marcos Correa de Sá publicou em 29/02/2004 lá no No Minimo:
Madeira plástica tem que ser de lei
29.02.2004 | Calma. O planeta ainda não chegou ao ponto de lhe pedir para mobiliar a casa com madeira plástica. Mas está ficando difícil explicar por que ainda é preciso derrubar árvores para fazer banco de jardim, mesa de varanda, mourão de cerca, caibro de telhado, estaca de píer ou deque de piscina. Tudo isso já se pode ter sem ligar a motosserra, com ripas que vêm do lixo, em vez de serem arrancadas das florestas.
E às vezes o que é feito com ela sai até melhor do que se fazia antes, como acontece com os dormentes. Nesse caso, posta sob as linhas ferroviárias, onde as toras clássica de eucalipto, encharcadas de creosoto, porejam ao longo de sua vida útil um veneno capaz de contaminar o solo, a madeira plástica brilha como trilhos, indicando o caminho por onde certamente correrão as estradas de ferro do futuro.
É que, ao contrário da madeira natural, a plástica vem de fábrica imunizada contra fungos, cupins e outras pragas. Dura, deixada ao tempo, pelo menos 50 anos, sem aditivos tóxicos. Resiste a cargas de até 80 toneladas, que reduziriam dormentes convencionais a maços de farpas. E amortece as vibrações que esmerilham os rolamentos dos trens, coisa que um bloco de concreto não consegue.
Mas o melhor é que a madeira plástica é feita de frascos, garrafas, copos descartáveis, embalagens e outros fantasmas de poliolefina que poluem a xepa urbana. Sobretudo no Brasil, onde 76% dos resíduos são jogados a céu aberto e a nata de PET que bóia na Baía de Guanabara tem sido o indício mais persuasivo de que o programa de despoluição botou fora onze anos e US$ 800 milhões de dólares.
Ver a madeira plástica brotar como pasta de bisnaga – com forma, textura e até cor da madeira verdade – do caldo de entulho petroquímico digerido pela máquina parece mágica até para quem aposta pesado nesse novo trunfo da reciclagem. “Sempre que ela sai do molde eu me impressiono como da primeira vez”, diz Geraldo Pilz, que fabrica por semana três toneladas de madeira alternativa na Baixada Fluminense.
Ele é dono da Cogumelo, uma fábrica de perfis em fibra de vidro plantada em Campo Grande, a antiga Zona Rural do Rio de Janeiro. Pilz tem 65 anos. Sua fábrica, 31. Mas ambos ainda vivem correndo atrás de atrás de novidades. Ele é aquele tipo de empresário que conversa com a mão no ombro do funcionário, “para ele relaxar”. Formou-se em economia, mas vai logo avisando que não tem nem quis ter M.B.A., o diploma americano de mestrado em administração que se traduz em português por altos salários em administração de empresas. “Eu só tenho T.B.C.”, declara.
T.B.C. quer dizer: “Tire a Bunda da Cadeira”. É o mesmo diploma que ele cobrou do filho, para quem vai agora passando aos poucos as rédeas da empresa. Daniel Pilz nasceu no mesmo ano da Cogumelo, fez em desenho industrial. Foi campeão sul-americano de wind-surf e andou metido com pára-quedismo e vôo-livre. Estava quase se profissionalizando em esportes radicais quando o pai o chamou da Austrália para cursar o T.B.C. em Campo Grande.
Chamar a Cogumelo de empresa familiar é eufemismo. Além de Daniel, Áurea, a mulher de Geraldo, trabalha na administração da fábrica. Os três têm o hábito de chegar cedo e sair, comer de bandejão e encaixar visitas a clientes em viagens de recreio. O filho, nos fins de semana, veste a camiseta da firma e carrega sempre em cima do carro, um Land Rover, as escadas de alumínio e fibra de vidro que foram o penúltimo lançamento da fábrica, antes da madeira plástica.
É um modo de mostrar ao mundo que ela existe. Essas escadas desembarcaram no Brasil há poucos anos. Ao resolver produzi-las aqui, com licença da Werner Ladders americana, Pilz foi visitar pessoalmente velhos fabricantes de escadas de madeira no mercado nacional, para lhes falar das excelências do similar em liga leve. Queria, na época, oferecer-lhes a matéria-prima. “Mas eles me puseram para correr e não tive outro jeito senão fabricar eu mesmo as escadas”, conta Pilz. Dispensado como fornecedor, tornou-se concorrente da indústria tradicional e acabou por lhes tomar grandes clientes, como companhias de eletricidade, telefônicas e até bombeiros.
Aliás, “a vantagem de circular com essas escadas na capota é que as pessoas pensam que meu carro é da Telerj”, explica Daniel. Em teoria, assaltantes não se interessam por carros da Telerj. Na prática, a família inteira se comporta como propaganda ambulante da Cogumelo, que originalmente se especializava em produtos mais ou menos obscuros, como cabos, tubos, grades e outros produtos de uso industrial.
Oficialmente, ela se apresenta como uma fábrica de “pultrudados”. Mas não adianta procurar no dicionário. A palavra não existe. É um neologismo estritamente técnico, trazido diretamente do inglês para batizar o processo contínuo de modelagem da fibra de vidro em formas quentes. Trata-se, em resumo, de uma variante patenteada da extrusão. Nos primeiros tempos, dava um trabalho danado explicar aos leigos o que vinha a ser aquele “pultrudado” impresso no logotipo da firma, cada vez que Daniel parava o Land Rover em estacionamentos públicos.
Com tais antecedentes, vender madeira plástica num país que ainda não começou a comprá-la é o de menos para os Pilz. Não é a primeira vez que eles promovem soluções para problemas que não parecem incomodar os brasileiros. A própria Cogumelo só está aí porque, trinta e tantos anos atrás, Geraldo Pilz se rebelou contra o conteúdo das caixas de componentes importados que costumava abrir na Caterpillar da Bahia. Era então gerente de peças. E não entendia por que o Brasil deveria que trazer do exterior bugigangas que qualquer país é capaz de fazer, como “tijolo de ferro com um furo no meio” ou lâmpada G&E para trator Caterpillar.
De tanto dicsutir, mudou-se para a Sotreq, no Rio de Janeiro. Onde continuou recebendo os mesmos contêineres com as mesmas encomendas. “Não era isso que eu queria fazer na vida”, ele alega. Demitiu-se, pegou o fundo de garantia e, “com a cara, a coragem e a mulher grávida”, fundou em 1972 a Indústria de Componentes de Tratores Ltda. Era um oficina de fundo de quintal. Fazia tetos em fibra de vidro para trator porque, naquele tempo, “tratorista tinha que trabalhar num banco aberto, cozinhando ao sol”.
O produto emplacou. Emplacou tanto que, na virada dos anos 80, todos tratores nacionais passaram a sair da linha de montagem com tetos iguais ao seu, mas feitos pelas grandes marcas. A fabriqueta de Pilz foi à lona. Chegara a fazer 80 cabines por dia. Estava reduzida a meia dúzia. E, para piorar as coisas, o proprietário tinha brigado com os antigos clientes, processando-os por abuso de poder econômico. Foi quando caiu nas mãos de Pilz uma revista técnica, contando que nos Estados Unidos já se faziam perfis em fibra de vidro pela tal da pultrusão.
“Fui na mesma hora para lá, bater na porta de quatro empresas, com meu inglês de índio”, ele lembra. “Numa delas, a da Pensilvânia, o sujeito que me recebeu estava usando botas. Eu me senti no lugar certo. Fomos almoçar. Pedi-lhe para comprar a tecnologia, mas não as máquinas, porque isso o Brasil podia fazer para mim. Ele topou e quis saber quando eu mandaria para meu engenheiro para o treinamento. Respondi que o engenheiro tinha que ser eu mesmo”.
Pagou o know-how em oito parcelas. Ao fechar o contrato não tinha dinheiro para a primeira prestação. Mas, no Rio, os funcionários se reuniram com Áurea e lhe ofereceram um crédito no valor do décimo-terceiro salário que tinham a receber. Dos 30 empregados que entraram nessa coleta, 15 trabalham até hoje na casa. Os outros só saíram aposentados.
Com o fiasco das cabines de tratores, ele tinha aprendido “que no Brasil a gente tem que diversificar, para resistir. Senão, quando vem uma crise, e aqui sempre vem uma crise, o empresário demite os funcionários que não tinham nada a ver com isso. Quem tem obrigação de prever a crise é o patrão”. Hoje, a Cogumelo funciona com 150 funcionários.
Pilz chegou à madeira plástica de tanto procurar opções conta os achaques do mercado. “Na ocasião, nem me passou pela cabeça que ela também tinha vantagens ambientais. Depois é que a ecologia me entrou no sangue. Mas estava mesmo era querendo um jeito de depender menos das multinacionais que me fornecem a matéria-prima. Fibra de vidro custa muito caro para o Brasil. Eu geralmente acompanho seu preço, comparando-o com a cotação do quilo de filé-mignon”.
O remédio estava na reciclagem de lixo. Pilz pôs o olho nas fábricas americanas que, nos anos 90, tiraram proveito da legislação ambientalista. Depois que as construtoras tiraram as mãos das últimas reservas públicas de cedro e sequóia, até madeireiras tradicionais, como a Georgia-Pacific e a Weyerhaeuser, deram para oferecer aos consumidores deques pré-fabricados em madeira plástica.
Pilz comprou a tecnologia de Scott Hauser, ex-sócio minoritário da U.S. Plastic Plumber, pioneira do ramo. E fez o serviço completo. Trouxe-o ao Brasil para ver como funciona a coleta de lixo no aterro sanitário de Gramacho, com crianças disputando espaço com urubus. “Sou da opinião que eles têm que conhecer nossos problemas”, diz ele. Também lhe ofereceu, neste verão, um mês de férias no Rio de Janeiro por conta da empresa, aproveitando sua presença aqui para dar os últimos retoques em sua máquina.
A Cogumelo sozinha. Sua madeira plástica não tem concorrência, exceto a que é feita, por processos meio artesanais, numa fazenda devotada à recuperação de drogados no interior de São Paulo. O problema é que o país mal sabe que ela existe. A começar pelos marceneiros. Ela pode ser furada, serrada, aparafusada e pregada como a madeira comum. Dispensa verniz. Vem tingida de fábrica, para sempre. Custa mais ou menos o mesmo que o metro quadrado de pinho. Sai da fábrica em vários calibres. E seu comprimento, como não tem relação com altura de árvore, só tem um limite: a capacidade que tem o cliente de transportá-la.
Então está tudo resolvido? “Não”, responde Pilz. Porque falta, como sempre, a parte do governo. “E não estou pedindo favor nenhum”, ele ressalva. Só quer que a lei descubra a madeira plástica. Nos Estados Unidos, ela pego graças aos dispositivos que inibem o desmatamento ou proíbem caminhões que transportam alimentos de usar prateleiras de compensado natural, sujeitas a rachadores que viram ninhos de fungos. Por por essas e outras, 25 fábricas americanas já fazem madeira plástica, produto que mal passou do décimo aniversário.
Aqui, a Cogumelo tem que montar bancos e mesas de jardim, para mostrar que a reciclagem funciona. Basta-lhe uma única máquina para suprir toda a demanda. Mas a Companhia Vale do Rio Doce encomendou, experimentalmente, os primeiros dois mil dormentes de madeira plástica. Dois mil dormentes dão um quilômetro de linha férrea. E consomem 160 toneladas de lixo plástico.
Quer saber o que isso significa? Multiplique a equação da CVRD pelos trilhos da rede ferroviária nacional. Ou por qualquer outra equação que troque por ela a madeira vegetal desperdiçada em portos, construção civil ou cercados. O resultado, conclui Geraldo Pilz, “é que a esta hora eu estaria cercado de concorrentes e pagando anúncios na televisão, pedindo para comprar a domicílio todo o lixo plástico que os cariocas quisessem me vender. Dava para buscá-lo de casa em casa. E ele sumiria de nossas cidades, como sumiu a lata de alumínio, desde que o Brasil resolveu reciclá-la”.
10.01.2004
Lembranças
Sempre me julguei uma mulher inteligente. Sempre fui uma mulher sem direção. Sempre fui uma mulher sem senso prático de direção. Por mais de uma vez, eu fui caminhar em Ipanema na direção do Leblon, e quando menos esperava, estava chegando em Copacabana. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.
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Quando eu era criança, queria ser hippie. Não sabia muito bem o que eram aqueles caras cabeludos, mas intuia que tinha algo a ver com a liberdade. Já na adolescência, fiquei dividida entre o socialismo, que acabou me ganhando, e esse mesmo mundo hippie. Apesar das evidências contrárias, não fui da esquerda festiva, como diziámos na época (puxa, como estou velha!), mas uma militante até bem orotdoxa de tendência trotsquista. Fui expulsa do PT nem sei mais em que ano, aliás, eu e toda a CS. Esta semana, tive saudades desse tempo, tantas coisas me vieram à lembrança: Eu morava com uns amigos: A Cláudia Simone, A Andréia e o Marcos Aurélio. Me lembro dele, dizendo: “- Antes de abrir a porta, só pelo som, eu já sei quem está em casa: Se estiver tocando Mercedes Sosa é a Felicia, se for Maria Bethânia é a Cláudia, se for o Djavan, é a Andréia.” E ele gostava de Clube da Esquina e Pink Floyd. Nossa, gente, nesse tempo ainda nem existia cd…Pois é, há anos não escutava a Mercedes Sosa, que voz linda que essa mulher tem! Peguei meu LP mais querido, não resisto e vou escrever para voces o que ela canta, na canção que adotei como sendo minha:
FUEGO EN ANYMANA
Dicen que yo, de solo estar
Fui apagandome
Como la luz lenta y azul
De un atardecer.
Piensan que estoy secando el sol
De la soledad
Que por estar en mi raiz
Ya no crezco mas.
Es que yo soy, esa que soy,
La misma nomas,
Mujer que va buscandose
En la eternidad.
Si es por saber de donde soy,
Soy de anymana.
Sepan los que no han sabido
Que no estoy de solo estar,
Que estoy parada en el grito
Bagualero del pujay.
Si yo me voy, conmigo ira
Todo lo que soy.
Lejos de mi, lejos de aqui,
Yo no sere yo.
Dejenme estar, de solo estar,
Viendo el sol volver.
Yo quiero ver en mi pais
El amanecer.
Soy pa' durar, como el maiz,
Simple y cereal.
Soy pa' durar, porque yo se
Pasar y pisar.
Si es por saber de donde soy
Soy de anymana.
Até hoje não sei o que é ser de anymana, mas que eu sou essa que sou, a mesma e não mais, mulher que vai buscando-se na eternidade, ah, essa sou eu mesma.
No meu aniversário, pensei tanto na minha mãe e no meu pai. E chorei.
O que é um blog? Querido diário, estou deprimida.
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Quando eu era criança, queria ser hippie. Não sabia muito bem o que eram aqueles caras cabeludos, mas intuia que tinha algo a ver com a liberdade. Já na adolescência, fiquei dividida entre o socialismo, que acabou me ganhando, e esse mesmo mundo hippie. Apesar das evidências contrárias, não fui da esquerda festiva, como diziámos na época (puxa, como estou velha!), mas uma militante até bem orotdoxa de tendência trotsquista. Fui expulsa do PT nem sei mais em que ano, aliás, eu e toda a CS. Esta semana, tive saudades desse tempo, tantas coisas me vieram à lembrança: Eu morava com uns amigos: A Cláudia Simone, A Andréia e o Marcos Aurélio. Me lembro dele, dizendo: “- Antes de abrir a porta, só pelo som, eu já sei quem está em casa: Se estiver tocando Mercedes Sosa é a Felicia, se for Maria Bethânia é a Cláudia, se for o Djavan, é a Andréia.” E ele gostava de Clube da Esquina e Pink Floyd. Nossa, gente, nesse tempo ainda nem existia cd…Pois é, há anos não escutava a Mercedes Sosa, que voz linda que essa mulher tem! Peguei meu LP mais querido, não resisto e vou escrever para voces o que ela canta, na canção que adotei como sendo minha:
FUEGO EN ANYMANA
Dicen que yo, de solo estar
Fui apagandome
Como la luz lenta y azul
De un atardecer.
Piensan que estoy secando el sol
De la soledad
Que por estar en mi raiz
Ya no crezco mas.
Es que yo soy, esa que soy,
La misma nomas,
Mujer que va buscandose
En la eternidad.
Si es por saber de donde soy,
Soy de anymana.
Sepan los que no han sabido
Que no estoy de solo estar,
Que estoy parada en el grito
Bagualero del pujay.
Si yo me voy, conmigo ira
Todo lo que soy.
Lejos de mi, lejos de aqui,
Yo no sere yo.
Dejenme estar, de solo estar,
Viendo el sol volver.
Yo quiero ver en mi pais
El amanecer.
Soy pa' durar, como el maiz,
Simple y cereal.
Soy pa' durar, porque yo se
Pasar y pisar.
Si es por saber de donde soy
Soy de anymana.
Até hoje não sei o que é ser de anymana, mas que eu sou essa que sou, a mesma e não mais, mulher que vai buscando-se na eternidade, ah, essa sou eu mesma.
No meu aniversário, pensei tanto na minha mãe e no meu pai. E chorei.
O que é um blog? Querido diário, estou deprimida.
9.29.2004
Entao
Hoje é meu aniversário. Nasci na primavera. Por aqui insistem em dizer que é outono. Ontem aconteceu a íncrivel história do dia em que a televisao precisou sair furtivamente de casa. Estamos sem acesso a internet até o proximo mês. Fomos castigados por excesso de downloads. O tricô vai bem e o livro segue cada vez melhor. Eu passei só para dizer que até outubro, nao venho.
9.26.2004
Receita de Tricô
Em homenagem ao Rafael Galvão, e a Grazi do Biscoito Doce, vou colocar no ar uma receita de tricô tipo “vem ni mim que eu sô facinha”. Dá prá ler e tricotar ao mesmo tempo, porque o ponto é sempre o mesmo, não exige grandes doses de concentração (o tricô, não o livro, he, he). Daí as tricoteiras mais experientes (hmmm) como essa que vos escreve (hmmm )podem tranquilamente manter as mãos no tricô e a cabeça no livro. É assim, ó:
PULL PINK EM CORDÕES DE TRICÔ – Tamanho 42/44
Material : 10 novelos qsuco (1326) –(mas estou usando a Pingouin Família mesclada n. 2033, que é linda de morrer. Tb já fiz uma cor de vinho, que ficou o máximo); agulha para tricô n° 4.
Pontos Empregados:
Ponto tricô: tricotar todas as carreiras em meia.
Amostra: um quadrado de 10cm em p. tricô nas ag. N° 4= 20p. x 38 carr.
MODO DE FAZER:
A blusa é trabalhada numa só peça começada pela manga. Montar 48p. nas ag. n°. 4 e tric. em p. tricô. Aum. de cada lado a cada 6 carr.: (ATENÇÃO, ACONSELHO VOCÊ A DEIXAR O LIVRO UM POUQUINHO, AQUI É PRECISO MAIS CONCENTRACÃO PARA NÃO PERDER AS CONTAS), repito, aum. de cada lado, a cada 6 carr.: 1p. (16v.), cada 8 carr.: 1p. (8v.) e 68 p. (PODE CONTINUAR O LIVRO, E TRICOTAR COM O PILOTO AUTOMÁTICO LIGADO). A 52 cm do começo, para a gola, dividir o trabalho ao meio. Ao mesmo tempo aum. no lado da divisão 20 p. e trabalhar cada lado separadamente. A 72 cm. do começo, rematar no centro do trabalho os 20 p. aum. Ao mesmo tempo, unir as duas partes e continuar em p. tricô. (VOLTE A SE CONCENTRAR NO TRICÔ, PRESTE ATENÇÃO NAS DIMINUIÇÕES). A 83 cm do começo, dim. de cada lado cada 8 carr.: 68 p. e 1 p. (8v.) e cada 8 carr:: 1 p. (16v.). A 135 cm do começo, rem.
Modo de armar:
Costurar as laterais da gola. Fechar os lados e as mangas. Prontinho.
PULL PINK EM CORDÕES DE TRICÔ – Tamanho 42/44
Material : 10 novelos qsuco (1326) –(mas estou usando a Pingouin Família mesclada n. 2033, que é linda de morrer. Tb já fiz uma cor de vinho, que ficou o máximo); agulha para tricô n° 4.
Pontos Empregados:
Ponto tricô: tricotar todas as carreiras em meia.
Amostra: um quadrado de 10cm em p. tricô nas ag. N° 4= 20p. x 38 carr.
MODO DE FAZER:
A blusa é trabalhada numa só peça começada pela manga. Montar 48p. nas ag. n°. 4 e tric. em p. tricô. Aum. de cada lado a cada 6 carr.: (ATENÇÃO, ACONSELHO VOCÊ A DEIXAR O LIVRO UM POUQUINHO, AQUI É PRECISO MAIS CONCENTRACÃO PARA NÃO PERDER AS CONTAS), repito, aum. de cada lado, a cada 6 carr.: 1p. (16v.), cada 8 carr.: 1p. (8v.) e 68 p. (PODE CONTINUAR O LIVRO, E TRICOTAR COM O PILOTO AUTOMÁTICO LIGADO). A 52 cm do começo, para a gola, dividir o trabalho ao meio. Ao mesmo tempo aum. no lado da divisão 20 p. e trabalhar cada lado separadamente. A 72 cm. do começo, rematar no centro do trabalho os 20 p. aum. Ao mesmo tempo, unir as duas partes e continuar em p. tricô. (VOLTE A SE CONCENTRAR NO TRICÔ, PRESTE ATENÇÃO NAS DIMINUIÇÕES). A 83 cm do começo, dim. de cada lado cada 8 carr.: 68 p. e 1 p. (8v.) e cada 8 carr:: 1 p. (16v.). A 135 cm do começo, rem.
Modo de armar:
Costurar as laterais da gola. Fechar os lados e as mangas. Prontinho.
O QUE ESTOU LENDO
Comecei hoje o "Terra Nostra" livro do Carlos Fuentes. Trouxe do Brasil em fevereiro, mas fui adiando a leitura, priorizando o alemão e deixando o pobrezinho de lado. Agora resolvi dar a atenção merecida para os meus livrinhos. E ainda dá prá fazer tricô ao mesmo tempo! Ler é ou não é a melhor coisa?
9.24.2004
VIDA DE IMIGRANTE
Copiei o post abaixo da Maria, lá do simpaticíssimo Montanha Russa.
É um texto do antropólogo Roberto da Matta, publicado no Estadão de 15 de setembro de 2004. Trata da questão do imigrante e (algumas de) suas crises e reflexões:
QUANTAS VEZES MORREMOS NESTA VIDA?
Nascemos e morremos quando viajamos. O velho ditado francês que declara “partir (ou despedir-se) é morrer um pouco” não pode ser mais claro ou verdadeiro, pois todo viajante divide-se, reparte-se, multiplica-se e, quase sempre, dispersa-se, “diasporiza-se” em múltiplos pedaços. Pulveriza-se em memórias, saudades e vidas, cada qual sob o controle daqueles que deixou no seu porto de adeus.
Cada viagem sinaliza uma nova etapa, uma declaração de independência, um gesto de revolta, um rasgo corajoso de esperança, um dispendioso desabafo, um ato de rejeição, um tiro no escuro, um rito de passagem. Foi assim quando fui complementar minha educação universitária em Harvard, nos Estados Unidos; foi também assim quando saí de uma Niterói luminosa, marcada por animadas discussões intelectuais, cujo objetivo era “acabar com o subdesenvolvimento” e segui para o interior do Brasil para viver comos índios. E tem sido assim depois que retornei aos Estados Unidos como professor e fiquei numa gangorra cultural, morando entre dois países e experimentando, como membro de uma cultura, os valores de outra sociedade.
Para cada uma dessas partições há um preço. O viajante é um peregrino. Mas o viajante que estaciona e, desfazendo armas e bagagens, integra-se num lugar, torna-se um marginal. E aquele que se associa formalmente a uma instituição – uma companhia, firma ou universidade – vira expatriado. Reparte-se inevitavelmente, criando uma vida concreta onde chegou e uma outra no lugar de origem.
Uma coisa é viajar motivado pelo retorno, como acontece nos cruzeiros turísticos e nas viagens de estudo ou trabalho. Outra coisa é viajar para ficar, tornando-se residente num lugar onde não se nasceu e onde toda a realidade, da comida aos modos de falar, comprar, pedir, rezar e relacionar são diferentes, têm de ser aprendidos e chegam de fora para dentro.
O primeiro tipo de viagem inventa o turista engarrafado numa bolha. O segundo agencia o viajante que experimenta a morte e a divisão de sua vida de modo abrupto ou gradual. A prova cabal de que morreu ou virou fantasma é quando ouve seu nome falado em outra língua. Meu nome sempre foi Roberto, mas aqui nos Estados Unidos virou Hobero. No início tudo é mais ou menos diferente, depois a vida se rotiniza e o estranho transforma-se em aceitável e até mesmo em familiar. Quem diria que eu ia me deleitar com cachorros quentes e com “almoços de negócios ou conferências”, as tais brown bag talks, embora deva dizer que a tal de root beer é ainda remédio para mim.
Qualquer que seja o gosto da rotina, porém, o fato é que é impossível viver e trabalhar num lugar, criando simpatias e antipatias, descobrindo prazeres e sofrimentos, sem ter com esse espaço uma história de sentimentos e relações. Sem se sentir saudoso de alguns de seus nichos, comidas, pessoas.
Minha experiência americana me tornou um expatriado e, ao mesmo tempo, um fervoroso brasileiro. Tanto que voltei ao Brasil só para descobrir, neste breve retorno que agora faço a Notre Dame, quanto eu me liguei a este lugar e às suas coisas. Quanto eu fui tocado por suas árvores bem cuidadas, por suas alamedas emolduradas de grama, pelo cheiro de incenso de suas missas, pelo silêncio quase sepulcral de duas noites, pelas tempestades que chegam rápidas e violentas e vão embora com amesma velocidade, pelo gosto saboroso de seus vegetais, pela civilidade com a qual seus cidadãos dirigem seus carros, pela sincera cordialidade dos meus colegas.
Quando se fica entre dois mundos, morre-se muitas vezes. Tantas são as passagens de um lugar a outro. E, quando se descobre que o “entre” também tem o seu lado negativo, revelando as perdas, contabilizando as divisões, assinalando as repartições, indiciando pelos lutos mal feitos e por muita saudades. Saudade de um lado e saudade do outro; e uma saudade nova, excepcional e inusitada do interstício, da passagem, do meio-termo.
As do Brasil são de gente e de comidas. Cheguei faz uma semana e já sinto falta de um prato de carne-seca frita com cebola, isso para não falar da imensa saudade dos meus netinhos e de tudo que vem com eles. As dos Estados Unidos são da vida que aqui deixei. Pois cada paisagem desta universidade também guarda uma parte de minha vida. Moldura terna e amorosa de um passado que não se deixa enterrar. As do miolo são as de uma liberdade um tanto onipotente, aquela que acena com a promessa de ter o melhor dos dois.
São esses sentimentos contraditórios de vida e morte,de liberdade extremada e de perda que eu tenho experimentado nesta visita. É quando vejo que o pertencer é sempre relativo. Que a terra natal – a pátria ou a mátria, comodizia o padre Antônio Vieira – exige uma constante celebração de ritos patrióticos em que reafirmamos o nosso gosto de a ela pertencer, porque – quem sabe? – somos também seres de um mundo sem fronteiras. É pelo menos isso que ocorre quando morremos e deixamos de pertencer a nós mesmos.
Escrito pelo antropólogo Roberto da Matta (publicado no Estadão, dia 15 de setembro de 2004 - gentileza da Leila e do Ricardo)
Escrito por Maria às 03:12 PM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (4)
É um texto do antropólogo Roberto da Matta, publicado no Estadão de 15 de setembro de 2004. Trata da questão do imigrante e (algumas de) suas crises e reflexões:
QUANTAS VEZES MORREMOS NESTA VIDA?
Nascemos e morremos quando viajamos. O velho ditado francês que declara “partir (ou despedir-se) é morrer um pouco” não pode ser mais claro ou verdadeiro, pois todo viajante divide-se, reparte-se, multiplica-se e, quase sempre, dispersa-se, “diasporiza-se” em múltiplos pedaços. Pulveriza-se em memórias, saudades e vidas, cada qual sob o controle daqueles que deixou no seu porto de adeus.
Cada viagem sinaliza uma nova etapa, uma declaração de independência, um gesto de revolta, um rasgo corajoso de esperança, um dispendioso desabafo, um ato de rejeição, um tiro no escuro, um rito de passagem. Foi assim quando fui complementar minha educação universitária em Harvard, nos Estados Unidos; foi também assim quando saí de uma Niterói luminosa, marcada por animadas discussões intelectuais, cujo objetivo era “acabar com o subdesenvolvimento” e segui para o interior do Brasil para viver comos índios. E tem sido assim depois que retornei aos Estados Unidos como professor e fiquei numa gangorra cultural, morando entre dois países e experimentando, como membro de uma cultura, os valores de outra sociedade.
Para cada uma dessas partições há um preço. O viajante é um peregrino. Mas o viajante que estaciona e, desfazendo armas e bagagens, integra-se num lugar, torna-se um marginal. E aquele que se associa formalmente a uma instituição – uma companhia, firma ou universidade – vira expatriado. Reparte-se inevitavelmente, criando uma vida concreta onde chegou e uma outra no lugar de origem.
Uma coisa é viajar motivado pelo retorno, como acontece nos cruzeiros turísticos e nas viagens de estudo ou trabalho. Outra coisa é viajar para ficar, tornando-se residente num lugar onde não se nasceu e onde toda a realidade, da comida aos modos de falar, comprar, pedir, rezar e relacionar são diferentes, têm de ser aprendidos e chegam de fora para dentro.
O primeiro tipo de viagem inventa o turista engarrafado numa bolha. O segundo agencia o viajante que experimenta a morte e a divisão de sua vida de modo abrupto ou gradual. A prova cabal de que morreu ou virou fantasma é quando ouve seu nome falado em outra língua. Meu nome sempre foi Roberto, mas aqui nos Estados Unidos virou Hobero. No início tudo é mais ou menos diferente, depois a vida se rotiniza e o estranho transforma-se em aceitável e até mesmo em familiar. Quem diria que eu ia me deleitar com cachorros quentes e com “almoços de negócios ou conferências”, as tais brown bag talks, embora deva dizer que a tal de root beer é ainda remédio para mim.
Qualquer que seja o gosto da rotina, porém, o fato é que é impossível viver e trabalhar num lugar, criando simpatias e antipatias, descobrindo prazeres e sofrimentos, sem ter com esse espaço uma história de sentimentos e relações. Sem se sentir saudoso de alguns de seus nichos, comidas, pessoas.
Minha experiência americana me tornou um expatriado e, ao mesmo tempo, um fervoroso brasileiro. Tanto que voltei ao Brasil só para descobrir, neste breve retorno que agora faço a Notre Dame, quanto eu me liguei a este lugar e às suas coisas. Quanto eu fui tocado por suas árvores bem cuidadas, por suas alamedas emolduradas de grama, pelo cheiro de incenso de suas missas, pelo silêncio quase sepulcral de duas noites, pelas tempestades que chegam rápidas e violentas e vão embora com amesma velocidade, pelo gosto saboroso de seus vegetais, pela civilidade com a qual seus cidadãos dirigem seus carros, pela sincera cordialidade dos meus colegas.
Quando se fica entre dois mundos, morre-se muitas vezes. Tantas são as passagens de um lugar a outro. E, quando se descobre que o “entre” também tem o seu lado negativo, revelando as perdas, contabilizando as divisões, assinalando as repartições, indiciando pelos lutos mal feitos e por muita saudades. Saudade de um lado e saudade do outro; e uma saudade nova, excepcional e inusitada do interstício, da passagem, do meio-termo.
As do Brasil são de gente e de comidas. Cheguei faz uma semana e já sinto falta de um prato de carne-seca frita com cebola, isso para não falar da imensa saudade dos meus netinhos e de tudo que vem com eles. As dos Estados Unidos são da vida que aqui deixei. Pois cada paisagem desta universidade também guarda uma parte de minha vida. Moldura terna e amorosa de um passado que não se deixa enterrar. As do miolo são as de uma liberdade um tanto onipotente, aquela que acena com a promessa de ter o melhor dos dois.
São esses sentimentos contraditórios de vida e morte,de liberdade extremada e de perda que eu tenho experimentado nesta visita. É quando vejo que o pertencer é sempre relativo. Que a terra natal – a pátria ou a mátria, comodizia o padre Antônio Vieira – exige uma constante celebração de ritos patrióticos em que reafirmamos o nosso gosto de a ela pertencer, porque – quem sabe? – somos também seres de um mundo sem fronteiras. É pelo menos isso que ocorre quando morremos e deixamos de pertencer a nós mesmos.
Escrito pelo antropólogo Roberto da Matta (publicado no Estadão, dia 15 de setembro de 2004 - gentileza da Leila e do Ricardo)
Escrito por Maria às 03:12 PM | Mais: Vida de imigrante | Comente! (4)
Minhas plantas
Sempre tive o hábito de dar nomes às minhas plantas. Me lembro ainda com saudades da Maria Bethânia, uma samambaia linda que tive. Tive também outra samambaia, com o nome de Thomás em homenagem a um amigo e o cabelo que ele usava na época. (Aliás, encontrei o Thomas numa festa em Santa Teresa, e ele está meio calvo agora. Mas continua bonito.) E além de Bethânia e Thomás, tive a Nana, que eu não sei que espécie de planta era. E muitos outros. Minhas plantas ficaram com minha mae quando me mudei para o Rio. Que bom para elas - ambas, porque minha mae tambem adora plantas.
Me lembro especialmente de um cactus, chamado Astor Piazzolla. Sempre adorei cactus, - já comecei minha coleçãozinha aqui, mas enquanto estive no Brasil, três deles morreram, uma pena - e tinha um carinho especial pelo Astor. Uma vez, quando eu ainda morava em Volta Redonda, fui acampar em Visconde de Mauá. Notei que meu cactus estava assim meio tristinho, na verdade, murchando, talvez por excesso de água. Quando voltei de Mauá, minha mãe comentou comigo sobre a morte do Astor, o Piazzolla humano. Fiquei desolada, porque adorava os tangos dele. Na mesma semana, Astor, meu cactus, tambem morreu.
Me lembro especialmente de um cactus, chamado Astor Piazzolla. Sempre adorei cactus, - já comecei minha coleçãozinha aqui, mas enquanto estive no Brasil, três deles morreram, uma pena - e tinha um carinho especial pelo Astor. Uma vez, quando eu ainda morava em Volta Redonda, fui acampar em Visconde de Mauá. Notei que meu cactus estava assim meio tristinho, na verdade, murchando, talvez por excesso de água. Quando voltei de Mauá, minha mãe comentou comigo sobre a morte do Astor, o Piazzolla humano. Fiquei desolada, porque adorava os tangos dele. Na mesma semana, Astor, meu cactus, tambem morreu.
É da vida.
Eu, se pudesse escolher, seria vizinha do José Saramago. Mas Deus não me deu essa graça , e assim sendo, vim morar em Graz, onde sou, digamos assim, “vizinha” do Arnold Schwarzenegger, já que ele nasceu e morou durante anos aqui pertinho.
Não sei se vocês sabiam, mas ele é um exemplo de sucesso para o povo daqui. Me lembro da Gabi, professora do curso de alemão. Cada um de nós precisava citar alguém a quem admiramos e o porque dessa admiração. A professora disse:”Um exemplo para mim é o Schwarzenegger; ele que não se contentou em ser pequeno, mas se preparou (?) até conseguir ser governador da Califórnia…” Ui, eu hein, tem gosto pra tudo.
……………………………………………………………………………………
Hoje é aniversário da festeira, festiva e minha querida prima, a DIDA. Parabéns pra ela, que ela merece!!!
Ontem, pelas bandas de cá, à essa hora, tínhamos cerca de 21°C. Hoje, a temperatura ainda não passou dos 11°C. O dia amanheceu com aquelas nuvens cor de chumbo que me deixam triste, só por pensar que o sol não deve aparecer pelos próximos meses.
Ontem também, amanheci com espírito de Amélia e fui limpar as janelas, que aliás, já estavam para lá de precisadas. Bem que o bonitão avisou que lá vinha chuva. Adeus, cucuia pro meu trabalho, que a chuva veio e manchou tudo de novo. Ah, e tem mais: pra reforçar minha porção Amélia, também resolvi estrear a máquina de costura, e fui fazer bainha numa cortina, que estava há anos encostada lá no armário. A intenção era justamente bloquear um pouco o sol que batia diretamente no rosto de quem se senta frente ao outro computador…Sol, mas que sol??
……………………………………………………………….
Hoje abri minha caixa de mails e tinha uma mensagem, que minha irmazinha mandou. Resolvi copiar (daqui ó): Viva cada Dia
E eu amo minha irmazinha.
Não sei se vocês sabiam, mas ele é um exemplo de sucesso para o povo daqui. Me lembro da Gabi, professora do curso de alemão. Cada um de nós precisava citar alguém a quem admiramos e o porque dessa admiração. A professora disse:”Um exemplo para mim é o Schwarzenegger; ele que não se contentou em ser pequeno, mas se preparou (?) até conseguir ser governador da Califórnia…” Ui, eu hein, tem gosto pra tudo.
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Hoje é aniversário da festeira, festiva e minha querida prima, a DIDA. Parabéns pra ela, que ela merece!!!
Ontem, pelas bandas de cá, à essa hora, tínhamos cerca de 21°C. Hoje, a temperatura ainda não passou dos 11°C. O dia amanheceu com aquelas nuvens cor de chumbo que me deixam triste, só por pensar que o sol não deve aparecer pelos próximos meses.
Ontem também, amanheci com espírito de Amélia e fui limpar as janelas, que aliás, já estavam para lá de precisadas. Bem que o bonitão avisou que lá vinha chuva. Adeus, cucuia pro meu trabalho, que a chuva veio e manchou tudo de novo. Ah, e tem mais: pra reforçar minha porção Amélia, também resolvi estrear a máquina de costura, e fui fazer bainha numa cortina, que estava há anos encostada lá no armário. A intenção era justamente bloquear um pouco o sol que batia diretamente no rosto de quem se senta frente ao outro computador…Sol, mas que sol??
……………………………………………………………….
Hoje abri minha caixa de mails e tinha uma mensagem, que minha irmazinha mandou. Resolvi copiar (daqui ó): Viva cada Dia
E eu amo minha irmazinha.
9.21.2004
EU PRECISO DIZER QUE TE AMO!
MAMÃEZINHA, EU TE AMO TANTO, TANTO, TANTO, LÁ DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO!!!!
9.20.2004
9.16.2004
Morar no exterior
Morar na Áustria. Viver na Áustria. Estar num outro país. Ser imigrante. Ser estrangeiro. Perder a identidade. Buscar a identidade. Perder raízes. Criar raízes. Se adaptar ? Ou se integrar? Ou se mudar? Como se virar?
9.15.2004
Saco!
Puxa vida, que trágico é esse sentimento que de mim se apossou. Gente, tô me sentindo uma eme.Tá certo, vou me arrepender por ter escrito isso aqui, mas que droga, aliás, é MAIS que uma droga, é uma eme, eu já nao disse? Parece tpm elevada a doses maxima. Entao, resultado: preciso desabafar com meus tres fiéis leitores. Agora ja disse. Pronto. Entao, tá. O que eu escrevi se apagou enquanto fui no outro PC, o outro PC me informou que a sessao expirou, e eu tô achando que é melhor eu ficar quietinha embaixo das cobertas hoje, pois QUE DROGA. Dia feiao, computador feiao sem til e cedilha, donadoblog feiona, vida feiona. Tudo é feiao, e essa que vos escreve acima de tudo.
Ta bom, estou um nojo. Entao vou te contar o que li: terminei ontem a "Saga do Marrano", de Marcos Aguinis. Persegui esse livro um tempao, até encontrá-lo pertinho, em Volta Redonda (ou longinho, dependendo do ponto de vista, ás vezes esqueco que estou do outro lado do oceano. Marrano é um termo especialmente depreciativo, usado contra os judeus perseguidos pela inquisicao. O livro fala sobre a trajetoria de um deles, Francisco Maldonado, sua vida e de sua familia, a perseguicao á sua crenca, as humilhacoes, o processo do Santo Ofício, sua condenacao e o modo como Francisco defendeu sua fé. Se gostei do livro? Confesso que minha expectativa era maior, a crítica fez um comentario maravilhoso na época de seu lancamento no Brasil, e eu o imaginei "diferente", o que nao quer dizer ruim. Entao, a quem quiser saber um pouco mais sobre a historia judaica, eu recomento. Comecei hoje a ler "As Mil e um Noites". É um clássico da literatura, e todo mundo ja deve ter ouvido algum comentario. Estou me deliciando. E de livro pro tchau: Pronto, que bom foi escrever um pouquinho, passou a sensacao sacal e deu uma forca pro Calmapax + Passiflora que eu havia tomado. Entao, tchau!
......................................................................
Ta, vou dar um tchau definitivo, mas antes deixa eu comentar: estou assistindo Real Madrid 0 x 1 Leverkusen. Caraca, gente, Real esta decepcionante. Um time tao repleto de estrelas como Figo, Zidane, Ronaldinho, Beeckham (é assim que se escreve?) e Roberto Carlos, só para citar os mais conhecidos, chutou só umas duas vezes a gol. Tá, o Leverkurkusen nao é assim la uma merdinha, mas em linguagem para neófitos, eu diria que é quase um Beatles x Menudos, sabe como? Ih, mandei mal, digamos assim algo como um Beatles x Paralamas, voces estao me entendendo? Ah, ta bom; sei que voces me entenderam, está no intervalo, deixa eu voltar pro meu tricô e me ajeitar no sofá. Definitivamente por hoje, tchau.
Ta bom, estou um nojo. Entao vou te contar o que li: terminei ontem a "Saga do Marrano", de Marcos Aguinis. Persegui esse livro um tempao, até encontrá-lo pertinho, em Volta Redonda (ou longinho, dependendo do ponto de vista, ás vezes esqueco que estou do outro lado do oceano. Marrano é um termo especialmente depreciativo, usado contra os judeus perseguidos pela inquisicao. O livro fala sobre a trajetoria de um deles, Francisco Maldonado, sua vida e de sua familia, a perseguicao á sua crenca, as humilhacoes, o processo do Santo Ofício, sua condenacao e o modo como Francisco defendeu sua fé. Se gostei do livro? Confesso que minha expectativa era maior, a crítica fez um comentario maravilhoso na época de seu lancamento no Brasil, e eu o imaginei "diferente", o que nao quer dizer ruim. Entao, a quem quiser saber um pouco mais sobre a historia judaica, eu recomento. Comecei hoje a ler "As Mil e um Noites". É um clássico da literatura, e todo mundo ja deve ter ouvido algum comentario. Estou me deliciando. E de livro pro tchau: Pronto, que bom foi escrever um pouquinho, passou a sensacao sacal e deu uma forca pro Calmapax + Passiflora que eu havia tomado. Entao, tchau!
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Ta, vou dar um tchau definitivo, mas antes deixa eu comentar: estou assistindo Real Madrid 0 x 1 Leverkusen. Caraca, gente, Real esta decepcionante. Um time tao repleto de estrelas como Figo, Zidane, Ronaldinho, Beeckham (é assim que se escreve?) e Roberto Carlos, só para citar os mais conhecidos, chutou só umas duas vezes a gol. Tá, o Leverkurkusen nao é assim la uma merdinha, mas em linguagem para neófitos, eu diria que é quase um Beatles x Menudos, sabe como? Ih, mandei mal, digamos assim algo como um Beatles x Paralamas, voces estao me entendendo? Ah, ta bom; sei que voces me entenderam, está no intervalo, deixa eu voltar pro meu tricô e me ajeitar no sofá. Definitivamente por hoje, tchau.
9.13.2004
De volta
Me pergunto como é que tem gente que consegue postar, trabalhar, estudar e ainda fazer tricô (a Grazi do BiscoitoDoce
faz). Tem gente que vive na frente desse tal de computador e ainda arruma tempo para outras coisas. Tenho que dizer que isso me deslumbra...
Entao, voltei. Estou em Graz. Consegui a prorrogacao da licenca por mais um ano. Fiquei no Brasil por mais de dois meses. Meu pai faleceu no dia cinco de agosto. Minha sobrinha Ana Carolina completou um aninho. Meu sobrinho Jean Emanuel completou cinco meses. Ainda nao faz uma semana que voltei a Graz. Tenho vontade de voltar para Volta Redonda. Amanha tenho um Probetag na Libro. Hoje fiz inscricao na Uni para um novo semestre. Dessa vez, esta sendo dificil superar a sensacao de tristeza, de saudade da mae, das criancas, da Nanda, da familia toda.
Nao sei como vai ser manter o blog, mas quero dizer que tambem estou fazendo trico. E tenho dito.
faz). Tem gente que vive na frente desse tal de computador e ainda arruma tempo para outras coisas. Tenho que dizer que isso me deslumbra...
Entao, voltei. Estou em Graz. Consegui a prorrogacao da licenca por mais um ano. Fiquei no Brasil por mais de dois meses. Meu pai faleceu no dia cinco de agosto. Minha sobrinha Ana Carolina completou um aninho. Meu sobrinho Jean Emanuel completou cinco meses. Ainda nao faz uma semana que voltei a Graz. Tenho vontade de voltar para Volta Redonda. Amanha tenho um Probetag na Libro. Hoje fiz inscricao na Uni para um novo semestre. Dessa vez, esta sendo dificil superar a sensacao de tristeza, de saudade da mae, das criancas, da Nanda, da familia toda.
Nao sei como vai ser manter o blog, mas quero dizer que tambem estou fazendo trico. E tenho dito.
7.26.2004
7.06.2004
Pausa
Sumi. Pois é, estou em Volta Redonda, e ando sem tempo, por vários motivos, que, assim que tiver tempo(!), explico. Acredito que esse blog vá ficar ainda mais um pouco abandonado.Também, ninguém vem aqui mesmo!!!Beijos.
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